Monocultivo de soja invade região do Araguaia, no Mato Grosso

 

Plantação de soja nos arredores de São Félix

Plantação de soja nos arredores de São Félix / Foto: Daniel Santini

São Félix do Araguaia (MT) – Aos poucos, a região do Araguaia, no nordeste do Mato Grosso, vai sendo toda ocupada pela soja. São plantações mecanizadas e marcadas pelo uso intensivo de veneno se espalhando por áreas onde antes eram pastos e mata nativa nos municípios de Cana Brava do Norte, Confresa, Luciara, Porto Alegre do Norte, Santa Cruz do Xingu, Santa Teresinha e Vila Rica.

A expansão foi impulsionada por financiamentos públicos e abertura de estradas e intensificou-se de tal maneira em 2012 que mesmo terrenos de Bom Jesus do Araguaia, considerados inapropriados para esse tipo de lavoura, por serem baixos demais e sujeitos a alagamentos, estão sendo aterrados e cultivados. As lavouras começam na beira da estrada, quase no asfalto, e ocupam planícies inteiras.

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Financiamento público

A expansão da soja recebe amplo incentivo do governo federal. Na última safra, de julho de 2011 a junho de 2012, foram disponibilizados praticamente R$ 4 bilhões (R$ 3,998 bilhões) para custeio, investimento e comercialização da soja na região Centro-Oeste. Os fazendeiros do Mato Grosso estão entre os principais beneficiados pelos financiamentos públicos. No ano passado, o estado foi o terceiro que mais recebeu recursos em programas de financiamento do Banco Nacional para Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Só de crédito rural, os fazendeiros mato-grossenses tiveram acesso a mais de R$ 1 bilhão, para soja e outras culturas. Na frente entre todos os estados, só os do Paraná, que receberam R$ 2 bilhões, e os de Minas Gerais, com R$ 1,2 bilhão. Os dados foram divulgados no final de 2012 pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (clique aqui para baixar documento PDF com todas as informações).

Os gastos públicos para viabilizar tal expansão não se limitam à concessão de crédito direto. Além de financiamentos, o governo investe também na infraestrutura para escoamento da produção crescente de grãos, marcada pelas exportações. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é que o Brasil se torne o principal exportador de óleo, grão e farelo de soja este ano, aumentando em mais de 50% a produção e ultrapassando os Estados Unidos. Milhões são gastos com abertura de portos e expansão dos existentes, e com a construção e manutenção de estradas. Nas rotas da região os caminhões não param. A carga pesada danifica o asfalto e favorece o aparecimento de crateras nas pistas, forçando o poder público a gastar constantemente com reparos.

“Nunca foi assim, nunca viajamos tanto pelo Araguaia”, conta Maurício Pereira Júlio, motorista da empresa Júlio Simões, que fabrica colheitadeiras mecânicas que chegam a pesar 17 toneladas e valer R$ 700 mil. “Desde novembro, a gente vai e volta, até para locais que a gente nunca ia.”

Escrito por Daniel Santini/Repórter Brasil

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