Maioria dos municípios do vale do Araguaia tem IDHM abaixo da média nacional

Atlas do Desenvolvimento Humano, do Pnud, permite a análise socioeconômica dos municípios brasileiros

Por Maíra Ribeiro

Foi lançada nesta semana, o Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e a Fundação João Pinheiro. O estudo avaliou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM – dos 5.565 municípios brasileiros. Para compor o índice, são considerados 180 indicadores socioeconômicos dos censos do IBGE de 1991, 2000 e 2010, incluindo demografia, saúde, trabalho, renda, educação, habitação e vulnerabilidade social.

O estudo é dividido em três dimensões do desenvolvimento humano: a oportunidade de viver uma vida longa e saudável [longevidade], ter acesso a conhecimento [educação] e ter um padrão de vida que garanta as necessidades básicas [renda]. O índice varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. Estes valores foram divididos em faixas: muito baixo (valores de IDHM até 0,49), baixo (de 0,5 a 0,59); médio (de 0,6 a 0,69), alto (0,7 e 0,79) e muito alto (maior que 0,8).

Esta ferramenta permitiu a análise do desenvolvimento humano de 23 municípios do vale do Araguaia matogrossense, conforme a tabela abaixo. Clicando no município, pode-se acessar a página com as informações e dados do município.

Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 23 cidades do vale do Araguaia/MT
Localidade IDHM Posição Faixa de
Nacional Estadual IDHM
Brasil 0.727 Alto
01 0.748 583º Alto
02 0.734 920º 13º Alto
03 0.729 1052º 17º Alto
04 0.704 1776º 39º Alto
05 0.693 2105º 55º Médio
06 0.692 2134º 58º Médio
07 0.688 2224º 67º Médio
08 0.687 2251º 70º Médio
09 0.684 2332º 74º Médio
10 0.676 2524º 83º Médio
11 0.673 2598º 88º Médio
12 0.670 2663º 91º Médio
13 0.668 2716º 94º Médio
14 0.668 2716º 94º Médio
15 0.667 2738º 96º Médio
16 0.661 2870º 106º Médio
17 0.660 2898º 109º Médio
18 0.657 2964º 111º Médio
19 0.653 3055º 117º Médio
20 0.651 3090º 120º Médio
21 0.609 3927º 136º Médio
22 0.595 4255º 140º Baixo
23 0.538 5339º 141º Baixo

A maior parte dos municípios da região tem índices de desenvolvimento humano abaixo da média nacional. Porém, numa análise temporal, de 1991 até 2010, a região seguiu a tendência nacional de elevar consideravelmente o IDH dos municípios. Apesar do componente de longevidade ter o índice mais alto nos municípios da região, o incremento do índice de educação foi maior durante o período.

Uma característica comum aos municípios da região é a municipalização recente – todas as cidades tem menos de cem anos – e apresentam uma densidade populacional baixíssima, com menos de 3 habitantes por quilômetro quadrado (com exceção de Barra do Garças com 6,15 hab/km², Confresa com 4,32 hab/km² e Nova Xavantina com 3,51 hab/km²).

Dos 23 municípios analisados, somente quatro apresentam IDHM considerado alto, a maioria apresenta IDHM médio e dois municípios, Nova Nazaré e Campinápolis, apresentam IDHM baixo. Estes dois municípios figuram na penúltima e última posição na classificação de IDHM de Mato Grosso. Ambos os municípios tem uma grande proporção de população indígena, por terem em seu município as Terras Indígenas xavante Areões e Parabubure, respectivamente. Estes dados nos levam a duas considerações. Por um lado, retrata a precariedade dos serviços prestados às comunidades indígenas nas Terras Indígenas, em particular às comunidades xavantes. Por outro lado, os indicadores utilizados não abrangem a diversidade cultural, ou seja, para comunidades tradicionais, indicadores como possuir renda e ter acesso a uma educação formal não significam necessariamente qualidade de vida.

Desta forma, o IDHM é uma ferramenta importante que apoia o planejamento municipal e de desenvolvimento regional, porém, não pode ser analisado de forma superficial ou mesmo visto como um ranking de melhor ou pior. Apesar de múltiplos, os indicadores são rígidos e não consideram a diversidade regional das diferentes realidades de um país continental como o Brasil. A sociobiodiversidade, o conhecimento e uso sustentável dos ecossistemas pelas comunidades e a dinâmica cultural das comunidades são alguns exemplos de indicadores de qualidade de vida que não são facilmente medidos e, por isso mesmo, não são considerados neste índice. Além disso, deve-se considerar que o índice não considera as desigualdades internas do município.

O Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 funciona como uma plataforma online com o retrato resumido de todos os municípios brasileiros, que pode ser acessado na página do Pnud,  http://www.pnud.org.br/IDH/Atlas2013.aspx?indiceAccordion=1&li=li_Atlas2013

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