Mais de 80% das escolas estaduais de Mato Grosso estão de greve. É isso não é ruim

Desde o dia 12 de agosto os profissionais da educação estão de greve. A categoria pede melhores condições de vida, melhores salários e melhores condições de trabalho. Em 2012  os profissionais da educação enviaram uma proposta ao governador Silval Barbosa que  há um mês fez a primeira reunião com a categoria. A única proposta apresentada pelo governador é de que até o final do ano vai chamar os aprovados do concurso realizado em 2010, no entanto o governo não disse a data e nem quantos. A falta de proposta, revela o descaso do governo com a pauta que categoria apresentou. Que pede:

-Política que vise dobrar o poder de compra dos educadores em até 7 anos; Realização imediata de concurso público; Chamamento dos classificados do último concurso;Garantia da hora-atividade para interinos; Melhoria na infraestrutura das escolas; Aplicação dos 35% dos recursos na educação como prevê a Constituição Estadual; Autonomia da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) nos recursos devidos na área.

Os professores sairam as ruas para defender além dos seus direitos, os direitos da sociedade. Os professores perdem suas vidas dentro das escolas. São dias inteiros dedicados ao planejamento, resolvedo problema de aluno, lidando com as relações familiares, etc. São mal remunerados, trabalham em locais sem infra-estrutura. Desde más instalações, salas superlotadas, bibliotecas com o número de livros bem inferior ao desejado…..São escravos modernos do sistema e enquanto assim for as escolas estaduais, principalmente as das periferias, serão prejudicadas.

Casos no Araguaia – No começo do ano, por causa da infra-estrutura precária, o teto da escola estadual em Ribeirão Cascalheira desabou. Em 2011, o concurso municipal de Vila Rica previa remuneração maior para um operador de escavadeira do que para um professor. O concurso foi anulado. Em Luciara, mesmo depois de passar por uma reforma, as salas de aula da escola Juscelino Kubitschek continuam com goteiras. Os alunos postaram fotos no facebook. São muitas as histórias…

Neste vídeo dá para entender o que está acontecendo, na ótica da categoria. Os profissionais organizaram um ato público em Cuiabá no começo de agosto, com representantes de diversos municipios, explicando o que estava acontecendo na negociação com o governo em praça pública, já que é de interesse de todos.

https://www.youtube.com/watch?v=9H8AJ74KgtQ

Ainda não inventaram nada que funcione melhor do que as greves para conseguir melhorias. Mas como lutar contra a ideia que a mídia, patrocinada pelo Estado, dissemina sobre os professores e sobre a greve. Ler ou assistir jornal requer que você sempre se pergunte:  O que eu penso em relação a isso? Pode ter algum interesse por trás dessa notícia?  A greve é o não-aceitar. Na prática os professores são servidores do estado, ou seja, eles servem aos objetivos da União que é promover a educação, o trabalho, dentre outros direitos. Nós somos quem pagamos pelo serviço e quem recebe.Ora, não seria nós “os patrões que deveriam estar exigindo melhora as escolas brasileiras? A realidade é que os profissionais da educação, nossos empregados, decidiram mais uma vez exigir melhorias. Oxalá que 90% da sociedade aderisse greve em apoio a educação.

A educação para o sistema – breves reflexões

O sistema classifica seus trabalhadores pelo nivel de educação que eles possuem. Imagina se todos os moradores das cidades tivessem ensino superior? Quem iria trabalhar no caixa do supermecado? Descarregar os caminhões? Quem ia matar o boi para virar o churrasco no domingo? Quais seriam seus salários?

Escolas desiguais, oportunidades desiguais. Pense nisso, antes de criticar a greve.

É preciso ter ousadia para tentar,  pelo menos, imaginar como seria se todas as reenvidicações dos professores fossem atendidas. Com certeza, para os padrões do capitalismo, o mundo seria melhor.

Escrito por Rizza Matos*

*Midialivrista que participa do grupo de comunicação da Articulação Xingu Araguaia

 

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