Roda de diálogos sobre educação no Araguaia

Nos dias 11 e 12 de setembro ocorreu a I Roda de Diálogos sobre a educação no Araguaia: Caminho de luta e resistência, dentro da programação do Seminário de Educação da UFMT.

Por Maíra Ribeiro e Claudia Alves de Araujo

A Roda de Diálogos foi promovida em parceria entre o Centro Memória Viva/CMV-MT, o Grupo de Pesquisa em Movimentos Sociais e Educação/GPMSE e educadores e educadoras da Região Araguaia com o objetivo de apresentar a história do movimento de educação no Araguaia e seus resultados por meio de pessoas que dele participaram.

O evento rememorou e discutiu o vigoroso movimento de educação que se desenvolveu no vale do Araguaia a partir de 1970, cujos resultados repercutiram em nível estadual e nacional. Tendo como referência o pensamento de Paulo Freire e apoiado pela Prelazia de São Félix do Araguaia, o movimento educacional abrangeu populações indígenas, ribeirinhos, camponeses e núcleos urbanos, constituindo-se em um forte esteio da luta travada por estes segmentos sociais para garantir a permanência na terra em contraposição ao latifúndio avassalador que se instalava na região.

Foram dois dias de diálogos durante o evento SEMIEDU 2013 – Educação e (Des)Colonialidades dos saberes práticas e poderes, com coordenação de Márcia Ferreira Santos e Solange Pereira da Silva, com os seguintes temas e experiências:

  • A Experiência do Ginásio Estadual do Araguaia  – GEA – José Raimundo Ribeiro da Silva e Hélio de Sousa Reis
  • A educação e resistência no Araguaia. Elmo José Amador Malagodi e Helio Piau
  • A educação escolar indígena e a luta do povo Apyãwa (Tapirapé) pela terra.  Eunice Dias de Paula
  • As Escolas multisseriadas como sustentação do povo na terra. Antonio Eliseo Gobatto
  • Projeto Inajá, uma experiência inovadora na formação de professores indígenas e do campo. Adailton Alves da Silva e Osanette de Medeiros
  • Mostra Regional de Educação do Araguaia: o Araguaia tem e faz Escola. Maria de Lourdes Jorge de Sousa
  • A CPT e a educação agroecológica como instrumento para permanência dos camponeses no Araguaia. Cláudia Alves Araújo – CPT Araguaia
  • Movimento Cultural do Araguaia – o simbólico como instrumentos de luta. Fernanda de Moraes Sarmento Macruz e Rodolfo Alexandre Cascão Inácio
  • Como o rio que corre para o mar: Diálogos e Práticas Educacionais possíveis – Severiá Idioriê

RELATO DA CPT ARAGUAIA

A I Roda de Diálogos do Araguaia foi mais que um encontro, foi um momento histórico, uma construção e reconstrução. Momentos de fortes emoções, de elucidações, de saudades dos bons tempos, dos tempos atuais; saudades daquelas pessoas que não puderam comparecer. Um monumento: Pedro; um projeto libertador: Araguaia, com seus encantos, desencantos, fios e desafios. A alegria do reencontro; a alegria do encontro. Antigos, atuais e novos atores dessa Roda. O passado construindo e reconstruindo o presente; a construção do futuro. (depoimento de Osanette de Medeiros – professora da UNB e que esteve por muito tempo contribuindo no Araguaia e participou da Roda de diálogos).

A CPT participou contando sobre a experiência da educação popular e a agroecologia como instrumento de permanência dos camponeses na Terra. Pois a educação não é somente, a oficial, que a universidade prega, mas sim a construção coletiva do conhecimento, dos saberes populares. E no Araguaia ainda há um grande desafio na educação que é uma contextualização que possibilite uma reprodução social e cultural camponesa. As escolas estão voltadas para o conceito de cultura urbana, e isso reflete diretamente no abandono dos jovens e famílias na terra.

E a agroecologia propõe uma prática educativa baseada em metodologias participativas, em mutirões, convivência e também resistência na terra e alternativa ao modelo da morte que é o agronegócio.

Disse ainda que a Universidade forma seus alunos para servir a uma minoria da sociedade, que é a sociedade do capital (agronegócio), tomando por exemplo sua própria historia de vida, que foi formada em engenharia florestal pela UFMT e se dependesse do que estudou estaria servindo ao Agronegócio, plantando eucalipto, teca, pinus e outra plantas exóticas para o mercado de celulose. A universidade está longe do campo e deveria servir a quem realmente precisa, ao povo que põem comida saudável na mesa.

Imagem: Claudia Araujo / arquivo pessoal

 

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