Coletores da Rede de Sementes do Xingu se capacitam na coleta e beneficiamento de sementes

A Articulação Xingu Araguaia (AXA) realizou três oficinas em outubro de 2013 visando fortalecer os coletores na cadeia produtiva de sementes

Por Maíra Ribeiro

Entre os dias 16 e 24 de outubro deste ano, ocorreram as oficinas intituladas de “A socioeconomia da cadeia produtiva de sementes florestais nas cabeceiras do Rio Xingu, Mato Grosso” com o objetivo de melhorar o planejamento e organização do trabalho de coleta de sementes florestais e a troca de experiências entre os coletores da Rede de Sementes do Xingu. As atividades contaram com a participação da Prof. Dra. Fátima Rodrigues Piña, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e foram organizadas pelas entidades participantes da AXA: Instituto Socioambiental (ISA), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Associação Nossa Senhora da Assunção (ANSA), Associação Terra Viva (ATV) e Operação Amazônia Nativa (OPAN).

A iniciativa surgiu a partir de um diagnóstico da Rede de Sementes do Xingu feito em julho deste ano, realizado junto aos núcleos de coletores de sementes. Para aprofundar a análise, os núcleos foram divididos em três grandes grupos: núcleos urbanos, assentamentos de reforma agrária e aldeias indígenas. “O diagnóstico nos indicou a necessidade de um nivelamento dos grupos de coletores através da troca de experiências, utilizando materiais comuns entre os grupos” apontou Bruna Ferreira, do Instituto Socioambiental e articuladora da Rede de Sementes do Xingu.

Desta forma, cada oficina pretendeu atender a um público-alvo dentro da Rede de Sementes do Xingu, adaptando-se à realidade local: coletores indígenas, coletores de núcleos urbanos e coletores agricultores de assentamentos rurais.

A primeira oficina ocorreu no Parque Indígena do Xingu (PIX) nos dias 16 e 17 de outubro e contou com participantes das etnias Panara, Kaiabi, Waurá, Yudja e Ikpeng. A oficina destinada aos núcleos urbanos ocorreu em Canarana, nos dias 19 e 20, com presença dos grupos de Nova Xavantina, Água Boa e Canarana. Por fim, nos dias 23 e 24, ocorreu a última oficina em São Felix do Araguaia, contando com os grupos de coletores de assentamentos de reforma agrária de Bom Jesus do Araguaia, Canabrava do Norte e São Felix do Araguaia.

Na oficina, houve exibição de vídeos dos grupos que participaram do diagnóstico, mostrando as técnicas de manejo e controle de qualidade das sementes, calendário fenológico e equipamentos de coleta utilizados. Outras atividades desenvolvidas durante a oficina foram a troca sobre práticas de manejo de sementes, a confecção do calendário fenológico como ferramenta de planejamento de coleta e o cálculo de preços das sementes.

Coletores trabalham no calendário fenológico na oficina em Canarana

Coletores trabalham no calendário fenológico na oficina em Canarana

Para esse cálculo, os coletores aferiram o custo através do tempo para coleta e beneficiamento de cada espécie, peso total do fruto, peso da amostra do fruto, peso da semente, relação do quilo de fruto com o quilo de semente, número de semente do fruto e materiais utilizados. Cada coletor recebeu um caderno para sistematizar suas observações e trabalho, como época de frutificação e floração na sua região, tempo gasto na coleta e beneficiamento e outras informações relevantes para o trabalho de coleta.

As discussões das oficinas também servirão de base para a atualização da edição 2014 do Calendário da Rede de Sementes do Xingu.

A Rede de Sementes do Xingu surgiu em 2007 a partir do crescimento da demanda por sementes para plantios de restauração na região, realizados, principalmente, via semeadura direta dentro da Campanha Y Ikatu Xingu. É uma rede de trocas e vendas de sementes de árvores e outras plantas nativas da região do Xingu, Araguaia e Teles Pires, e conta atualmente com mais de 300 coletores de 21 municípios mato-grossenses. A Rede se propõe a realizar um processo continuado de formação de coletores de sementes nas cabeceiras do rio Xingu, para disponibilizarem sementes da flora regional em quantidade e qualidade. Ao mesmo tempo, gera renda para famílias agricultoras e comunidades indígenas e serve como um canal de comunicação e intercâmbio entre pessoas e entidades que trabalham com recuperação de áreas degradadas. Desta forma, visa valorizar e promover conhecimentos locais sobre uso e recuperação das florestas e cerrados do Mato Grosso.

Saiba mais sobre a Rede de Sementes do Xingu aqui.

Fonte: Comunicação AXA

Imagens: Bruna Ferreira

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