Em RO, conflito entre camponeses e soldados resulta na morte de um militar

Cley Medeiros,

do Mídia NINJA*

Uma operação da Força Nacional de Segurança, que tinha como objetivo a retirada das famílias de camponeses que ocupam uma parte da Floresta Nacional do Bom Futuro, em Rondônia, resultou na morte de um soldado e em dezenas de feridos. O fato ocorreu na última quinta-feira (14). Conforme o site Rondônia ao Vivo, o soldado Luiz Pedro de Souza Gomes, 33, foi alvejado com um tiro na altura do ombro e morreu no local.

Entretanto, o tumulto começou ainda na quarta-feira (13), quando a população se revoltou após a prisão de dois camponeses e pela apreensão de várias motos. A resposta dos moradores foi bloquear as estradas e destruir as pontes de acesso à pequena vila construída dentro da floresta. Os soldados da Força Nacional ficaram encurralados e cercados por centenas de pessoas.

Numa ação desesperada, a polícia revidou com tiros de borracha e depois com munição real, ferindo diversos camponeses, que se defendiam com rojões, pedras e paus.

Uma viatura da Força Nacional e um caminhão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que participavam das apreensões, foram totalmente queimados. Outros veículos do Grupamento de Operações Especiais (GOE) e da Polícia Militar foram atacados com pedras, em represália aos ataques contra os camponeses.

Por sua vez, o comandante da PM de Ariquemes, Enedy Dias, prestou informações alegando que a situação na área era “tranqüila”, e negou os confrontos. No entanto, sites de notícia da região desmentiram a versão do comandante e informaram sobre a morte de um soldado da Força Nacional que teria sido atingido por um suposto disparo acidental.

Há informações de que dezenas de camponeses foram feridos e continuam na área com medo de sofrerem represálias, pois a PM estaria controlando as entradas de pacientes em hospitais.

Ainda na quinta-feira, os efetivos da Força Nacional se retiraram da área e se deslocaram para a cidade de Ariquemes, para redefinir sua ação contra os moradores.

Na manhã de sexta-feira (15), efetivos policiais de Ji-Paraná, Porto Velho e Ariquemes se deslocaram para a região de Buritis, aumentando ainda mais o clima de tensão na população. A região é conhecida por intensos conflitos agrários, que já resultou em dezenas de assassinatos de camponeses registrados nos últimos anos.

Há mais de um ano, um acordo firmado entre governo federal e estadual previa a retirada das famílias da área da Floresta Nacional Bom Futuro e o seu assentamento numa Área de Proteção Ambiental (APA). Pelo acordo, as famílias só poderiam ser retiradas quando um novo local fosse providenciado pelo Incra.

No final do ano passado, as famílias que moram e trabalham nas terras há 10 anos, foram expulsas da área por uma operação do Ibama, Força Nacional e Exército brasileiro. Elas se comprometeram a aguardar 90 dias fora da área até que a situação de uma área regularizada fosse resolvida. No entanto, mais de 270 famílias retornaram para suas terras, após o prazo acertado com as autoridades ter acabado e nenhuma solução ter sido apresentada.

Com colaboração da Liga dos Camponeses Pobres

Foto: Cley Medeiros/Mídia NINJA
publicado em: Brasil de Fato

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