Mapa interativo online mostra evolução de desmatamento no mundo. No Brasil, desmatamento voltou a crescer em 2013

A ferramenta online está disponível gratuitamente na internet. No Brasil, desflorestamento totalizou 1.149 km² de agosto de 2012 a julho de 2013 e Mato Grosso lidera o ranking dos desmatadores.

Reportagens originais de James Morgan/BBC e Leandro J. Nascimento/G1 com edição de Maíra Ribeiro/AXA

Um novo mapa de alta resolução das florestas – online e interativo – foi criado com ajuda do site Google Earth e permite uma aproximação detalhada de até 30 metros. O mapa online coleta dados desde 2000, o que significa que é possível verificar como a cobertura florestal mudou ao longo da última década. Para criar os mapas interativos, foram usadas mais de 650 mil imagens do satélite Landsat 7. Entre 2000 e 2012, a Terra perdeu, em florestas, o equivalente à todo o território da Mongólia.

O mapa mostra que o Brasil avançou bastante no combate ao desmatamento, mas os ganhos nesta região foram superados por forte destruição de florestas em países como Indonésia, Malásia, Paraguai e Angola.

“Este é o primeiro mapa de mudanças florestais que é consistente em escala global e relevante também sob o aspecto local”, diz Matthew Hansen, professor da Universidade de Maryland, que liderou o projeto. “Uma tarefa que levaria 15 anos para ser feita por apenas um computador acabou sendo realizada em poucos dias com o sistema do Google Earth.”

Em estudo publicado na revista científica Science, baseados em dados do projeto, os cientistas descobriram que 2,3 milhões de quilômetros quadrados de floresta foram destruídos em 13 anos. Os principais motivos do desmatamento são queimadas, atividade madeireira, pragas e tempestades.

Em outras áreas, houve criação de 800 mil quilômetros quadrados de novas florestas. Com isso, o saldo final para o mundo foi de perda de 1,5 milhões de quilômetros quadrados.

As florestas tropicais estão sendo desmatadas em um ritmo de 2,1 mil quilômetros quadrados por ano, dizem os pesquisadores.

O mapa será atualizado anualmente e pode ser usado para monitorar os programas de combate a desmatamento.

“Esta nova abordagem de monitoramento pode, pela primeira vez, nos dar em uma escala global uma responsabilização transparente para progredirmos em direção a reduções reais no desmatamento”, disse Daniel Zarin, do grupo de ativistas Climate and Land Use Alliance.

Dados do INPE apontam crescimento da taxa de desmatamento no Brasil e um incremento de 52% do desmatamento em Mato Grosso

O Brasil foi o país que mostrou o melhor desempenho, com o desmatamento caindo pela metade na comparação entre dois períodos: 2003-2004 e 2010-2011. Já a Indonésia mais do que dobrou seu índice anual de desmatamento.

No entanto, apesar dos resultados positivos até 2012, novos dados divulgados na última quinta-feira (14) pelo governo brasileiro mostram que o desmatamento piorou no país no último ano. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o desmatamento cresceu em 30% em um período que vai de agosto de 2012 até julho passado – na comparação com a mesma época do ano anterior.

Os números referem-se à mensuração feita pelo sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal), do Instituto Nacional de PesquisasEspaciais (Inpe), e representam o índice oficial considerado pela União.

O desmatamento na Amazônia Legal mato-grossense cresceu 52% entre agosto de 2012 e julho de 2013, frente ao igual período do ano anterior. No intervalo, a área afetada avançou de 757 km² para 1.149 km². O percentual foi o maior dentre os nove estados amazônicos, liderando o ranking, indicou o Ministério do Meio Ambiente.

De acordo com o sistema, ao considerar apenas o desflorestamento ocorrido entre agosto de 2012 e julho deste ano, o Pará contabilizou a maior taxa. Na unidade federada foram 2.379 km², representando ainda um aumento de 37% em relação ao período anterior, quando houve 1.741 km² de floresta devastada, diz o governo.

Um recuo

Na Amazônia Legal brasileira, o desmatamento também cresceu, tornando-se 28% maior. Segundo o Prodes, de 4.571 km² para 5.843 km². A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, atribuiu a alta como consequência de casos específicos.

Na próxima semana ela deve se reunir com representantes dos governos estaduais em busca de uma explicação para o problema. “O desmatamento voltou de maneira residual em Estados como Mato Grosso e Pará”, disse a ministra durante apresentação dos dados nesta quinta (14).

Para o ministério, os 5.843 km² desmatados na Amazônia brasileira equivalem a segunda menor taxa desde o início do monitoramento, em 1988.

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Fonte: BBC News e G1

Imagens: imagem de satélite de desmatamento mundial por Universidade de Maryland/EUA e gráfico de desmatamento na Amazônia 2013 por G1.

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