Pedro, suas causas são nossas causas!

Frei Beto, em um dos seus textos, diz que, no decorrer da nossa história, passamos muito tempo virados para a Europa, e acabamos perdendo de vista nossos “santos e heróis”. Segundo ele, as coisas não existem a partir do momento em que as conhecemos. Independem, felizmente, de nossa ignorância.” Melhoramos muito, mas ainda é precisamos nos descobrir.

Pedro é um desses “santos e heróis”, não tão conhecido, e nem tão homenageado como mereceria.

Nascido em Balsareny, região da Catalunha, veio para o Brasil e, em 1968, mergulhou na Amazônia. Nomeado bispo de São Félix do Araguaia, adotou como divisa princípios que haveriam de nortear literalmente sua atividade pastoral: “Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar”.

“Pastor de um povo ameaçado pelo trabalho escravo, tomou-lhe a defesa, entrando em choque com os grandes fazendeiros; as empresas agropecuárias, mineradoras e madeireiras.”

Poeta e revolucionário. Pastor dos negros e dos indígenas. Cinco vezes réu em processos de expulsão do Brasil e frequentemente ameaçado de morte. Continua hoje, morando em São Félix do Araguaia, numa casa humilde. Calçando apenas sandálias de dedo e suas roupas simples.

Este ano de 2013, foi um ano bastante difícil para Pedro, além de seu corpo fragilizado pela idade e também pelo Parkinson, teve pela primeira vez, que abandonar sua casa em São Félix do Araguaia, para se proteger de mais uma ameaça de morte de gente que “perdeu o trem da história”.

Para lembrar esse nosso “santo e herói”, reafirmar nosso compromisso com as causas de Pedro: Reforma agrária, fim ao trabalho escravo, uma Igreja mais fraterna, garantia dos direitos dos povos indígenas e proteção ao meio ambiente, é que estamos lançando o CD “PEDRO POVO E POESIA”.

O CD “PEDRO, POVO E POESIA”, é uma coletânea de 14 poemas de autoria de Pedro Casaldáliga e declamados por pessoas que fizeram e ainda fazem parte das histórias de lutas do Araguaia.São professores, agentes pastorais, estudantes, leigos, “enfrentantes” dos movimentos sociais,que emprestaram suas vozes para os poemas.

Pedro deu total liberdade para a escolha dos poemas. Numa das conversas com ele, apenas sugeriu: “– Escolha os mais espirituais. Não é preciso dizer que o desobedeci. Preferi os mais politizados, os mais engajados, nem por isso menos “espirituais”. Eles correspondem a um período mais duro e de mais acirramento das lutas na região do Araguaia. São poemas de luta, poemas-denúncias, poemas-proféticos.

Pedro, suas causas são as nossas causas!

Somos e seremos sempre “cabras da prelazia!”

Luis Paiva – primavera de 2013

Para saber mais sobre o CD e os poemas, acesse: www.pedropovoepoesia.blogspot.com

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