Rio Tapirapé e seus sinais de esgotamento

O Rio Tapirapé banha o município de Porto Alegre do Norte-MT, mas a condição em que ele se encontra é preocupante.

Por Dandara Morais

Porto Alegre do Norte-MT – Os mais velhos contam que o Rio Tapirapé e seu porto, era o local em que os ribeirinhos recebiam artigos alimentícios e outros. Ponto de encontro, de chegada e partida. Foi em homenagem a esse movimento que a cidade recebeu o nome de Porto Alegre.

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Em época de chuva, o rio continua seco

Antônio Pereira da Silva, filho do primeiro morador da cidade, conta que a Porto Alegre do Norte começou as margens do rio, e que o Rio Tapirapé ditava a vida do povo “Aprendi a nadar no Tapirapé, agente pescava, usava água para beber, para lavar roupa, tudo era no rio”. Acrescenta ainda que nunca viu o rio tão seco e sujo “é época de chuva, e olha o jeito do rio, fininho, fininho”.

Hoje a população portalegrense já não pode desfrutar com tranquilidade dos benefícios do Rio Tapirapé. No ano passado foi detectada uma mortandade de peixe, com suspeita da alta quantidade de agrotóxicos em suas águas. 

E neste inicio de ano, a queixa da população é quanto a coloração amarela da água que chega em suas casas, odor fétido em alguns dias, e certa oleosidade. Segundo vereadores, o Departamento de Água e Esgoto da cidade, não é suficiente para garantir a pureza e distribuição da água potável, devido o numero crescente da população.

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A enxurrada trás para dentro do rio tudo que encontra pela frente

Mas a grande preocupação, esta na condição vista à beira do Rio Tapirapé.  Foi construída uma rua as margens do rio, que agora sem mata ciliar recebe todo o cascalho trazido pelas fortes enxurradas. Desta forma, daqui uns dez anos, ou menos, possivelmente o rio será assoreado.

Dona Maria José Ferreira, que mora há dez anos, numa casinha as margens do rio, diz que ninguém está preocupado com o Tapirapé, e o descaso é tanto da administração quanto da população “Olha, é desse jeito que você tá vendo ai, aqui na minha porta eu cuido, desço e cato o lixo, os plástico que o povo joga, mas eu sozinha não consigo cuidar de tudo”.

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Meu pé de Cedro

Comenta ainda, sobre um plantio de árvores feito pela prefeitura municipal e alunos das escolas municipais, com mudas doadas pela Associação Terra Viva de Agricultura Alternativa e Educação Ambiental “plantaram ai e nunca mais voltaram, tá até durando”. Maria diz que tem gente preocupada, mas são poucos, e não possuem força suficiente para mudar a realidade local. Tem gente como ela, que faz o que pode. “Ah tem o Valdo que deu as mudas, o povo que mora aqui perto, como a Dona Naninha, que tão sempre ajudando”. Maria mostra um pé de Cedro próximo ao seu quintal “essa foi eu que escolhi, e ela não vai morrer não, vou jogar uns três baldes d’água por dia na época da seca”.

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Mata ciliar deu lugar a rua

Nesse ritmo o Rio Tapirapé vai ajustando seu curso ao progresso e descaso. O leito vantajoso que recebia embarcações com os mantimentos para abastecer a cidade, hoje é quase um risco de saudade.

 

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