Uma história de amor animal

Por Telma Aguiar

Confresa – O casal Rodrigo e Marley Toloi são donos do Neguinho, um cachorro da raça rottweiller. Durante uma viagem, os donos perderam o animal, a partir de então bicho e humanos iniciaram uma cassada mútua que só terminou depois de três dias. Para reencontrar o cachorro, os donos envolveram mais de 50 desconhecidos na rede social Facebook, dezenas de caminhoneiros, chacareiros,  frentistas de postos de gasolina, funcionários de empresas e de uma rádio. Já o bicho demonstrou a tão afamada fidelidade canina seguindo sempre na direção de casa.

No final de 2013 o casal e seu cachorro viajaram em férias, saíram de carro (uma pick up com capota) da cidade de  Confresa para Urânia no interior de são Paulo. O percurso é de cerca de 1300 quilômetros. Na volta pra casa, pararam para abastecer o carro num posto às margens da BR 158 no trevo da cidade de Piranhas, Goiás.

Neguinho não desceu da carroceria da caminhonete. “Acho que o fato de nós termos descido e não termos deixado ele dar uma volta também, fez com que ele ficasse eufórico”, conta a dona que disse ainda que nesse instante foi alertada por um frentista sobre o risco do animal, que não estava amarrado, pular do carro: “meu marido respondeu que o Neguinho só colocava o focinho pra fora para tomar um ar e depois voltava ao interior da carroceria”.

Isso aconteceu por volta das 20 horas de sábado, 18 de janeiro. Após percorrerem noventa quilômetros, Marley pegou o farolete para dar uma olhada no cachorro e percebeu que ele não estava. “Rodrigo estava dirigindo e eu não sabia como dizer a ele que eu não estava vendo o Neguinho, quando contei ele perdeu o controle e começou a chorar, eu tentei ser forte e acalmá-lo, peguei o volante e voltamos pela estrada”, descreve.

Quando Rodrigo se acalmou voltou a dirigir, mas daí em diante já não adiantava mais segurar, os dois choravam e enquanto um guiava o carro o outro ia com o farolete iluminando as margens da rodovia para tentando avistar o animal. Na busca voltaram todos os noventa quilômetros até o posto onde haviam abastecido e continuaram a procurar ali por perto. Aproximadamente um quilômetro após o posto de combustíveis, Rodrigo, com o farolete, encontrou as pegadas do cão. “Aí a gente se acalmou porque tivemos certeza que ele estava vivo, não tinha sido atropelado”, disse Marley.

Pegadas do Neguinho

Pegadas do Neguinho

Como já era madrugada, exaustos, os dois dormiram no posto mesmo, dentro da caminhonete: “resolvemos permanecer ali porque não conseguíamos conceber a ideia de voltar pra casa sem ele” relembra a dona. No dia seguinte os dois saíram pelas fazendas que margeiam a rodovia e espalharam bilhetes com seus contatos. Eles procuram embaixo de pontes e pelos mais diversos lugares que conseguiram imaginar.

lugares onde o bicho de estimação foi procurado

lugares onde o bicho de estimação foi procurado

O casal fez também um apelo pelo Facebook que foi compartilhado pelos moradores de Piranhas: “É O NOSSO BICHINHO DE ESTIMAÇÃO E TEMOS MUITO AMOR POR ELE, ASSIM PEDIMOS QUE NOS AJUDEM A ENCONTRA-LO…” escreveu Marley.  Eles também foram numa rádio da cidade. “As pessoas queriam ajudar, teve até um reencontro organizado pelo pessoal da rádio, mas quando chegamos ao local o cachorro encontrado por uma senhora não era o nosso, mas um pequeno”.

Os três dias se passaram numa busca que teve tréguas apenas para as necessidades primárias, a dona do animal conta que só conseguia pensar no quanto o cão estava precisando deles. Mas,  no terceiro dia, (terça feira a tarde) Marley lembra que entrou em desespero: “parece que a ‘ficha caiu’, a gente tinha de voltar pra casa sem o Neguinho porque já tínhamos feito tudo o que podíamos”.

Então o casal seguiu viagem rumo a Barra do Garças. No entardecer, após andarem sessenta quilômetros, resolveram parar em um posto de gasolina no trevo da cidade de Bom Jardim de Goiás.  Eles haviam parado num posto no entroncamento daquela cidade na noite do desaparecimento de Neguinho, antes de retornavam a Piranhas. “Nem mesmo tínhamos descido do carro e um funcionário apontou o dedo indicador na direção do Neguinho, aos prantos nós corremos pra abraçar nosso cachorro, o pobrezinho estava tão abatido que não latiu, não levantou nem abanou o rabo, só se aconchegou ao Rodrigo” recorda Marley.

Rodrigo e os frentistas que reconheceram o cachorro em Bom Jardim de Goias

Rodrigo e os frentistas que reconheceram o cachorro em Bom Jardim de Goias

O cachorro estava sem comer, com os pés machucados, e havia fraturado o fêmur ao pular da carroceria. Marley conta que provavelmente o bicho não tenha ido  em nenhuma fazenda e nem tenha seguido pelo asfalto, como uma forma de se proteger. Nos três dias em que esteve desaparecido o animal percorreu sessenta quilômetros em direção ao estado de Mato Grosso, seguindo na direção de casa.

Ao chegar no posto de combustíveis o cachorro entrou na administração e foi reconhecido pelos funcionários que amarraram o bicho. O dono do posto ligou para um médico veterinário da cidade de Barra do Garças que medicou o animal. A volta pra casa foi mais demorada porque ele precisava parar e descansar a cada duas horas. “disso tudo vai ficar a lição de que é preciso tomar mais cuidado com os bichos de estimação, eu pensava que a viagem para ele era como pra nós humanos, mas agora sei que não é bem assim” conclui a dona do cão.

Neguinho já recuperou o peso, apesar de ainda estar com o fêmur em recuperação voltou a sua normalidade. Nos primeiros dias em casa o bicho ficou recolhido a um quarto sem querer nem mesmo brincar:  Marley publicou em sua página no Facebook um agradecimento a todos os que ajudaram no reencontro que ela classificou com um milagre: “ele é um companheiro não nos abandonou obrigada Senhor por esse milagre”.

Rodrigo e Marley no reencontro com o animal de estimação

Rodrigo e Marley no reencontro com o animal de estimação

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