Levante da Juventude faz acampamento e ato por reforma política

Movimento se reuniu no feriado da Semana Santa em Cotia (SP)

“Juventude quer revolução, juventude quer revolução”
“Aaaaaaaaa levante-se! Levante-se! Levante-se! Revolução!
“Juventude que ousa lutar: Constrói poder popular!”
“Pátria Livre!”

Vindos de 25 Estados brasileiros, cerca de 2,5 mil estudantes secundaristas e universitários atravessaram a Avenida Paulista, em São Paulo, na segunda-feira (21), com os gritos de ordem no ritmo de uma pequena bateria, e animados por um carro de som.

A passeata seguiu pela Avenida Brigadeiro Luis Antonio até a Assembleia Legislativa de São Paulo. “Nossa luta é pela reforma política. Entendemos que o nosso sistema político trava qualquer iniciativa de mudança”, diz Vitor Polacchini, militante e membro da coordenação do Levante Popular da Juventude, uma organização que eclodiu em 2012 e ganhou visibilidade com a promoção de escrachos na porta de agentes da ditadura. “Ajudamos a levantar a Comissão da Verdade e agora, além de continuar acompanhando os trabalhos, vamos ajudar a convocar a Assembleia Constituinte específica para a reforma política”, continua.

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Ao longo do caminho, os manifestantes fizeram uma intervenção em agência do Banco Itaú, que em uma agenda chamou o golpe civil-militar de “revolução”. No banco estenderam uma faixa com os dizeres “Financiamento privado de campanha > lucro dos bancos > corrupção política”. Já na Alesp, uma faixa pedia “Poder para o povo” e uma pichação no chão deixou inscrito “Levante-se pela Constituinte”.

A passeata de segunda-feira foi organizada ao longo do feriado de Páscoa, como parte da programação do segundo acampamento nacional promovido pelo movimento, e marcou o lançamento de um plebiscito popular para a convocação da Assembleia Constituinte. Com organização horizontal – sem chefes – e sem ligação partidária, cada um dos mais de 3 mil militantes que estiveram no acampamento do Cemucam, em Cotia, voltou para o seu Estado com a incumbência de organizar a logística para o plebiscito. Além dos estudantes brasileiros, havia representantes de Cuba, Venezuela e Argentina.

Leia abaixo a carta compromisso tirada do acampamento.

CARTA COMPROMISSO DO II ACAMPAMENTO NACIONAL DO LEVANTE POPULAR DA JUVENTUDE

“Somos mais de três mil jovens, de vinte e cinco estados, reunidos no II Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude. Somos jovens da periferia, do campo, das universidades públicas e particulares, secundaristas, jovens trabalhadores. Somos mulheres, gays, lésbicas, transexuais, travestis, indígenas, quilombolas, negras e negros. Somos produtores de arte e cultura, em suas mais diversas expressões, ritmos e cores. Nesse momento de encontro nacional, ousamos reafirmar o nosso compromisso com a construção do Projeto Popular para o Brasil.

Com apenas dois anos de construção nacional, realizamos inúmeras lutas, seminários de formação, centenas de acampamentos estaduais e municipais, milhares de reuniões de células. Consolidamos um movimento nacional, de massas, comprometido com a democracia popular, a sustentabilidade, o desenvolvimento, a soberania dos povos, o feminismo, o internacionalismo e a solidariedade.

Sabemos que ainda vivemos numa sociedade dividida em classes, em permanente luta entre aqueles que exploram e as trabalhadoras e trabalhadores que têm o fruto de seu trabalho roubado. Esse é o sistema capitalista patriarcal e racista, mundialmente organizado na sua forma imperialista, que destrói a natureza, extermina a juventude negra, oprime as mulheres, invisibiliza e violenta as diversas formas de expressão da sexualidade, concentrando a riqueza e o poder nas mãos das elites.

No Brasil a mesma classe dominante há mais de 500 anos explora e oprime nosso povo, e até hoje controla o poder político, a economia e os meios de comunicação. Uma elite violenta, que não tem problema em dizimar aqueles que discordam dela, como aconteceu durante a ditadura. O golpe faz 50 anos, e as marcas do período de chumbo continuam no nosso presente: a violência policial, o monopólio da mídia e o controle das empresas sobre a política de nosso país são suas marcas mais visíveis.

Nos últimos anos, mesmo com as realizações dos governos neodesenvolvimentistas que trouxeram benefícios à população brasileira, não ocorreu nenhuma transformação estrutural na sociedade brasileira. São os limites do atual sistema político: a atual democracia brasileira não quer e não pode transformar estruturalmente o país. A elite escravocrata, ditadora e assassina permanece no poder, controlando o Congresso Nacional e o Poder Judiciário e não irá ceder a reformas que possam melhorar a vida do povo.

Em 2013 estivemos nas ruas junto de milhões de jovens em todo o país. Com todas suas contradições, as manifestações de junho tiveram um caráter progressista e exigiram reformas estruturais na saúde, na educação, na mobilidade urbana e pela democratização dos meios de comunicação. Além disso, foram um marco da força e da vontade da juventude de ir às ruas lutar pelos seus sonhos, anunciando um novo ciclo de lutas sociais.

Nós, do Levante, somos parte deste processo e nos comprometemos com as lutas da juventude brasileira, da classe trabalhadora na mudança do atual sistema político.

Por isso, nos comprometemos:

– Com a luta por memória, verdade e justiça. Pela revisão da Lei de Anistia e punição aos torturadores;

– Com a luta pela democratização dos meios de comunicação e contra o monopólio da mídia,

– Com a construção de um projeto popular pra educação. Com 10% do PIB pra educação pública, por acesso e permanência na educação infantil, fundamental e superior; por cotas raciais e sociais; pelo fim do fechamento das escolas no campo;

– Com a luta pelo direito à cidade. O espaço público deve ser ocupado pelo povo e para isso precisamos de transporte público de qualidade com tarifa zero.

– Com a produção e a defesa da cultura popular brasileira, como forma de enfrentar a alienação, o individualismo e a indústria cultural que destrói a nossa diversidade.

– Com o combate ao o machismo, pelo fim da violência contra a mulher, pela igualdade de salários e oportunidades; por creches para todas as crianças;

– Com o combate à homofobia, por politicas publicas e lei anti-homofobia

– Com o combate ao racismo, pela desmilitarização das PMs que promovem o extermínio da juventude negra;

– Contra a criminalização dos movimentos sociais, pelo livre direito a organização e manifestação;

– Com a luta por uma Constituinte exclusiva e soberana do Sistema Politico, através da realização do Plebiscito Popular.

Muito fizemos até aqui, mas temos ainda muitos desafios no caminho. Para avançar na construção do Projeto Popular, é preciso muito suor, trabalho de base, formação política e agitação e propaganda. Construindo e multiplicando o Levante, nossa ferramenta de luta e organização. Nosso movimento deve estar voltado para a luta de massas, pois só ela pode mudar a vida da juventude e de todo o povo brasileiro. É também fundamental construir a unidade das forças populares, com humildade e generosidade, pois sabemos que a transformação da realidade é tarefa de milhões.

É nosso compromisso central seguir firmes na luta e na construção da revolução brasileira. Sabemos que o mundo novo só será construído enfrentando o desafio cotidiano da igualdade e da democracia, sem nenhuma forma de opressão. Temos certeza que nossa coragem, firmeza e trabalho coletivo nos levará à vitória.

Ousar lutar, organizando a juventude pro Projeto Popular!

São Paulo/Cotia (SP), 21 de abril de 2014, II Acampamento Nacional do Levante Popular da Juventude”

Texto: Lilian Primi

Imagem: Lucieli Oliveira

Fonte:Caros Amigos

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