Queimada na Amazônia tem impacto mais severo na seca, aponta estudo

Fogo pode transformar a floresta em área totalmente degradada. Pesquisa conduzida por brasileiro foi feita ao longo de oito anos em MT.

Por Eduardo Carvalho

Um estudo internacional realizado ao longo de oito anos na Amazônia identificou que a floresta é severamente afetada por queimadas em anos de seca, que podem causar uma degradação permanente no bioma.

Os dados, publicados nesta segunda-feira (14) pela revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a PNAS, sugerem que é preciso maior atenção para o controle de queimadas na região, principalmente se as temperaturas estiverem altas.

Conduzida por um brasileiro, a pesquisa foi feita na região do Alto Xingu, no Mato Grosso, em um trecho de floresta que foi queimado repetidamente durante o período estudado.

Com a ajuda de imagens de satélites, os cientistas analisaram o impacto do incêndio na vegetação e constataram que quando a temperatura estava acima da média e houve redução de chuvas, houve acentuada mortalidade de árvores.

Paulo Brando, doutor em Ecologia Interdisciplinar pela Universidade da Flórida e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o Ipam, é o autor principal do artigo.

Ele explica que a maior perda de vegetação, um total de 12% da área analisada – equivalente a um milhão de campos de futebol – ocorreu em 2007, quando a temperatura na região de MT ficou 2,5ºC acima da média e o volume de chuvas caiu 20%.

“O processo de degradação foi muito abrupto, a degradação foi severa e permitiu a entrada de gramíneas exóticas”, explicou Brando.

Manejo sustentável

Devido ao calor excessivo, o solo fica mais seco e as árvores não conseguem absorver água suficiente para se manterem vivas. Para ficarem mais leves e absorverem menos líquido, elas liberam folhas e galhos. Ao fazerem isto, soltam no chão material combustível para as queimadas – que são causadas pelo homem, seja de forma proposital ou acidental.

“A seca é muito difícil de manejarmos, mas temos que diminuir o risco de incêncios. Por isso, é preciso incentivar melhores práticas agrícolas, aumentar a fiscalização e organizar brigadas de incêndios entre fazendeiros e indígenas”, explica Brando.

Outro ponto citado por ele é a importância de evitar o desflorestamento, no intuito de não permitir a existência de fragmentos de floresta, mais vulneráveis a queimadas por serem mais quentes em comparação com o interior da floresta.

Nova realidade

Segundo previsão do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, o excesso de gases de efeito estufa na atmosfera, como o CO2, pode elevar a temperatura em determinados pontos da floresta, como o sul e leste amazônicos, que ficariam mais suscetíveis a incêndios e processos críticos de degradação.

Por isso, o estudo destaca também a necessidade de incluir as interações entre os eventos climáticos extremos e o fogo, “na tentativa de prever o futuro da floresta na nova realidade do clima”.

Incêndios no Brasil

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em 2013 o Brasil registrou 115.484 focos de incêndio. Pará, Mato Grosso e Maranhão registraram mais queimadas.

As razões variam desde limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos e colheita agrícola, disputas por terras e protestos sociais.

A instituição aponta que o fogo prejudica a fauna e a flora nativas, causam empobrecimento do solo e reduzem a penetração de água no subsolo, além de gerar poluição atmosférica com prejuízos à saúde de milhões de pessoas e à aviação.

Denúncias de incêndios criminosos podem ser feitas ao Corpo de Bombeiros, às prefeituras, às secretarias estaduais do Meio Ambiente e ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

Fonte: Portal G1

Imagem: Paulo Brando

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