Organizações debatem impactos de hidrelétricas no Mato Grosso

Mais de 70 projetos hidrelétricos estão previstos para região Noroeste de Mato Grosso. Empreendimentos preocupam população que será atingida. 

Nos dias 2 e 3 de agosto, na sede do Centro de Formação e Atualização dos Profissionais da Educação Básica (CEFAPRO), no município matogrossense de  Juína, grupos organizados, associações, sindicatos, professores, estudantes, lideranças indígenas, Ministério Publico Estadual, pastorais, movimento sociais e redes socioambientais se reuniram com o objetivo de discutir os impactos da construção de mais de 70 projetos hidrelétricos, entre grandes e pequenas centrais, na bacia do rio Juruena.

Durante o encontro foi debatido o modelo energético brasileiro, que viola direitos e beneficia um conjunto de grandes empresas do capital estrangeiro. Segundo o assessor do Ministério Publico Estadual, Francisco Arruda Machado, o Brasil tem sido um país extremamente irresponsável durante as construções de hidroelétricas e uma solução viável seria o aumento de investimentos em pesquisas de fontes alternativas.

“Não se investe em pesquisa básica no país. O dinheiro destinado para pesquisa é desviado. A economia é um privilégio para ricos e não para o povo e o governo brasileiro não organiza o dinheiro público. O investimento em energia hidráulica com certeza dá um bom lucro para as empresas, quando este retorno deveria ser da população”, afirmou Francisco.

Diante desta realidade as organizações afirmaram a necessidade do comprometimento com a segurança da vida em geral e cobraram esclarecimentos sobre quem serão os atingidos direta e indiretamente e quais serão as medidas protetoras adotadas enquanto os projetos se encontram em fase de estudo.

Preocupado sobre a possível construção de hidrelétricas que irão alagar sua aldeia, o Cacique Darci Rikbaktsa, se manifestou contrário aos empreendimentos. “Somos legítimos nativo-brasileiros, e não estamos sendo respeitados pelo governo. Eu não queria a construção, pois conservamos a natureza e de repente vem a hidrelétrica e destrói tudo. Quero que visitemos a minha Aldeia, para levar o alerta ao meu povo”, declarou.

Os participantes aproveitaram o encontro para levantar alguns pontos sobre a construção das hidroelétricas na Bacia do Rio Juruena, entre eles: manifestar sua preocupação com a desvalorização das populações e demais seres vivos; cobrar a participação e o envolvimento do poder público para que haja comprometimento com as populações atingidas em consonância com os direitos constitucionais; convocar à população para participar e acompanhar as discussões e tomadas de decisões quanto à instalação ou não das barragens ao longo da Bacia do Rio Juruena e fortalecer a participação dos vinte povos indígenas da bacia do Juruena, movimentos sociais, redes socioambientais, ribeirinhos, pescadores, assentados, posseiros, dentre outras populações do entorno.

Por fim, foi elaborada uma carta que reafirmou o compromisso com a luta pela soberania dos diferentes povos habitantes da Bacia do Juruena e pela distribuição da riqueza e controle popular.

Fonte:http://www.mabnacional.org.br/noticia/organiza-es-debatem-impactos-hidrel-tricas-no-mato-grosso

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