CPT participa de debate sobre sementes do Xingu na Escola Superior de Agricultura da USP

Dia 3 de setembro teve inicio no anfiteatro Ciências Florestais, na Escola Superior de Agricultura da USP (ESALQ), o evento “Diálogos e Saberes entre Rede de Sementes do Xingu e Ciências Florestais”. Cláudia Araújo, agente da CPT Mato Grosso, participará do evento expondo como a Rede de Sementes do Xingu atua.

O evento tem como finalidade estimular processos de troca de conhecimentos sobre a produção e tecnologia de sementes florestais, entre coletores e técnicos da Rede de Sementes do Xingu, estudantes e professores ESALQ. Essa atividade tem como proposta também tratar sobre o manejo comunitário e familiar de sementes florestais, como uma alternativa de desenvolvimento socioeconômico, bem como discutir os benefícios socioambientais proporcionados às comunidades de coletores de sementes florestais localizadas nas cabeceiras do rio Xingu, no estado do Mato Grosso.

Ainda dentro da atividade, organizada pelo Instituto Socioambiental (ISA), a Articulação Xingu Araguaia (AXA) e o Grupo de Estudos e Pesquisas em Ecologia e Manejo de Florestas Tropicais (Gepem) da ESALQ, foi realizada na noite de ontem (2) uma mostra de vídeos sobre o tema, no Centro de Convivência da Escola, em São Paulo.

Para Cláudia Araújo, da CPT, esse intercâmbio de saberes entre a academia e os coletores enriquece ambos os lados, e ajuda a divulgar a necessidade de preservação das sementes, e a corajosa atuação desses guardiões da floresta. “Estar aqui representando uma iniciativa social ambiental, de diversidade cultural e econômica, que agrega agricultores/as indígenas, pessoas urbanas, várias e diferentes instituições,  a partir de um instrumento que é a semente, onde se discute restauração ambiental, legislação ambiental, soberania alimentar pelo resgate das sementes crioulas, coletividade, organização comunitária, e que ajuda aos camponeses permanecerem na terra, com maior qualidade de vida ou na melhoria da renda das famílias, ou na melhoria de seu ecossistema, cuidando e preservando seu ambiente e aproximando  as famílias dentro de casa e na comunidade, é uma experiência inédita no Brasil. E com todos os gargalos que tem a legislação florestal para a comercialização de sementes, levar essa experiência para uma universidade , para professores e estudantes é muito gratificante e merece ser divulgada, multiplicada em outros locais, e pode ser apoiada inclusive com pesquisas científicas pelas universidades e oportunidade para estudantes. Como é o caso de Danilo Urzedo, que acreditou no trabalho da rede de sementes e fez sua pesquisa de mestrado com os coletores da rede, ajudando tecnicamente a aprimorar o trabalho dos coletores da rede, e cuja defesa de seu trabalho final vamos assistir amanhã aqui na Esalq”.

Lançamento de livro

Ao final do evento, será realizado o lançamento da cartilha “Coletar, manejar e armazenar as experiências da Rede de Sementes do Xingu” (Para baixar o material, clique aqui). O material mostra de forma didática e acessível, o caminho que a semente percorre, desde a coleta dos frutos, feita por mais de 350 integrantes da rede, até a precificação da semente. Seis capítulos ilustrados com mapas, desenhos em aquarela e infográficos sistematizam o caminho que a semente percorre, desde a coleta dos frutos feita por mais de 350 pessoas que integram a Rede até a precificação da semente.

Um DVD encartado na publicação traz cinco vídeos que retratam as diferentes experiências de coletores quanto às técnicas de produção de sementes e reflexões sobre a importância da atividade. Os filmes foram exibidos na última semana de julho, na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

A publicação já está na mão daqueles que vão usá-la no dia a dia. O primeiro lançamento foi no XI Encontro da Rede, na cidade de São Felix do Araguaia (MT), entre os dias 31 de julho e 02 de agosto.

O material foi organizado por alunos e professores da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (ESALQ), Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), Instituto Socioambiental (ISA) e técnicos da Rede de Sementes do Xingu. Foram dois anos de trabalho de formação continuada junto aos indígenas, agricultores familiares, produtores rurais, pesquisadores e técnicos para reunir modos de fazer, trocas de experiências, inovações e tecnologias adaptadas.

 Sobre a Rede de Sementes do Xingu

A Rede de Sementes do Xingu é uma rede de trocas e encomendas de sementes de árvores e outras plantas nativas da região do Xingu, Araguaia e Teles Pires, promovendo conhecimentos locais sobre uso e recuperação das florestas e cerrados do Mato Grosso. Desde a sua criação, em 2007, 119 toneladas de sementes foram comercializadas.

 Texto: Internet

Imagem: Internet

Fonte: CPT Nacional

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