Eleições 2014: em Mato Grosso TSE registrou três candidatos indígenas

Escrito por: Rene Dioz, publicado em G1 MT

Terra-natal do primeiro índio a exercer mandato no Congresso Nacional e segundo estado em número de terras indígenas no país, Mato Grosso tem apenas três representantes que se declararam índios na disputa por cargos nas eleições deste ano. O levantamento é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e foi disponibilizado no começo de setembro por meio do site oficial.

O número contempla apenas os candidatos considerados aptos à disputa pela Justiça Eleitoral. De acordo com o TSE, em todo o Brasil apenas 80 candidatos se declararam índios quando perguntados a respeito de cor ou raça no registro de candidatura. Os estados da Bahia e de São Paulo foram os que mais contribuíram com candidatos indígenas, com oito postulantes cada um. Outros estados que tiveram mais de cinco candidatos cada são Amazonas, Roraima, Mato Grosso do Sul e Pará.

Em Mato Grosso, território que abriga populações de mais de 40 etnias diferentes, apenas dois candidatos a cargos de deputado estadual se declararam indígenas: a motorista particular Eliane Bolo, natural de Cuiabá, pelo PRP, e Matudjo Metuktire, do Pros, natural de Guarantã do Norte (município a 721 km da capital) e vereador por São José do Xingu (a 931 km).

Para o cargo de deputado federal, houve o registro de Josefina Almeida, natural de Várzea Grande (cidade da região metropolitana da capital), pelo PSDB.

Os três candidatos indígenas representam apenas 0,73% das candidaturas em Mato Grosso. Juntos, têm previsão de gastos de campanha de até R$ 6 milhões – a mais alta é de Josefina Almeida, com R$ 2,5 milhões. Conforme a segunda parcial de prestações de contas de campanha, apenas Josefina declarou à Justiça Eleitoral sua movimentação financeira até o momento. Ela declarou R$ 14,8 mil em receita e R$ 13,7 mil em despesas.

Nascido em aldeia próxima a Barra do Garças (MT), o cacique xavante Mário Juruna foi o primeiro parlamentar índio na Câmara dos Deputados, eleito pelo estado do Rio de Janeiro. (Foto: Acervo / Câmara dos Deputados)Nascido em aldeia próxima a Barra do Garças (MT), o xavante Mário Juruna foi o primeiro parlamentar índio na Câmara dos Deputados, eleito pelo estado do Rio de Janeiro. (Foto: Acervo / Câmara dos Deputados)

Pioneiro
Com poucos representantes que se declararam indígenas nestas eleições, Mato Grosso foi terra-natal do primeiro índio a alçar o posto de deputado federal no país. Nascido na região de Barra do Garças (cidade a 516 km de Cuiabá), o cacique xavante Mário Juruna filiou-se ao PDT e foi eleito deputado pelo estado do Rio de Janeiro em 1982 e exerceu mandato até 1986.

Até os 17 anos, Juruna viveu em uma aldeia na região de Barra do Garças sem qualquer contato com o homem branco. Após o fim do mandato legislativo, ele chegou a tentar a reeleição sem

Cor e raça
Nestas eleições, dos 411 candidatos aptos a concorrer em Mato Grosso, 205 se declararam brancos de cor ou raça, o equivalente a 49,88% das candidaturas. Outros 157 (38,2%) se declararam pardos; 44 postulantes (10,71%) se declararam pretos e apenas dois se declararam amarelos.

Em todo o Brasil, 55,48% dos candidatos se declararam brancos, 34,51% se declararam pardos, 9,18% se declararam pretos e 0,47% se declararam amarelos. A proporção de candidatos indígenas é de apenas 0,35%.

Mato Grosso possui 88 terras indígenas, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai). No país, o estado só perde para o Amazonas em quantidade de reservas – o vizinho possui 162 terras indígenas.

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