Desmatamento cresce 29% na Amazônia Legal entre 2012 e 2013, segundo Inpe

Em Mato Grosso, desmatamento dobrou de 2012 para 2013

Por Maíra Ribeiro

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgou em nota do último dia 10, a taxa consolidada oficial do desmatamento na Amazônia para o período entre agosto de 2012 e julho de 2013, medida pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (PRODES). O PRODES computa como desmatamento as áreas maiores que 6,25 hectares onde ocorreu remoção completa da cobertura florestal – o corte raso.

O resultado final do estudo computou uma taxa de 5.891 km²/ano. O Inpe ressalta que o valor representa a segunda menor taxa de desmatamento registrada na Amazônia Legal desde 1988, quando iniciaram as medições. Porém, os dados revelam que houve um aumento de 29 % na área desmatada em relação ao mesmo período de 2011-2012. Os dados dos últimos dez anos podem ser conferidos na tabela abaixo:

Tabel1a comparativa dos focos de desmatamento nos últimos 10 anos, variação de 2013-2012 e acumulada. Fonte: Inpe

Evolução do desmatamento (em km quadrados) desde 2004, variação de 2012 a 2013 e acumulada. Fonte: Inpe

Desmatamento em Mato Grosso

De acordo com os dados, Mato Grosso apresentou a maior taxa consolidada de desmatamento de 2012 para 2013 dentre os estados da Amazônia Legal, ao lado do Maranhão. Ambos os estados tiveram um aumento de 50 % no desmatamento em 2013, em relação ao ano anterior. Quando analisada a área total desmatada por estado, Mato Grosso encontra-se somente atrás do Pará. Foram retirados 1.139 quilômetros quadrados de vegetação nativa a corte raso em Mato Grosso, de meados de 2012 a meados de 2013. Isso representa pouco mais de um quinto do total desmatado em toda a Amazônia Legal.

Dados atrasados

Segundo a página do Inpe, os dados consolidados devem ser divulgados no primeiro semestre, de forma que estes foram divulgados com mais de dois meses de atraso. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), o governo tem adiado sistematicamente a divulgação das informações sobre desmatamento na Amazônia. O ISA havia feito um pedido de divulgação destes dadosao Inpe por meio da Lei de Acesso à Informação.

O ISA ainda denuncia que o governo atrasou a divulgação dos dados de 2011, 2012 e 2013 do Mapeamento de Degradação Florestal na Amazônia (Degrad), que mede a supressão parcial da vegetação, divulgados somente em agosto. O mesmo tem ocorrido com o sistema governamental de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter). Apesar de prever uma divulgação mensal, o Deter divulgou os dados de junho e julho somente no final de agosto. Esse sistema é usado para orientar as ações de fiscalização do governo, sendo mais rápido, mas menos preciso, identificando apenas grandes desmatamentos, e não indicado para cálculo de áreas totais desmatadas.

Mesmo não sendo um instrumento preciso, ele indica tendências. Os dados recentes do Deter apontam um aumento de 9% dos alertas de desmatamento entre 2013-2014. Se esta tendência for confirmada no próximo relatório de taxa consolidada do desmatamento, será o segundo ano consecutivo de aumento.

Imagem: Wilson Dias/Agência Brasil

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