1º Encontro de Valorização da Cultura A’Uwẽ na TI Marãiwatsédé

Encontro discutiu temas como prevenção no uso de álcool e drogas e acesso às políticas públicas sociais pelos Xavante

Por Comunicação Funai com colaboração de Joarcênia Setúbal

De 21 a 24 de outubro, na Terra Indígena (TI) Marãiwatsédé, no Mato Grosso, foi realizado o 1º Encontro de Valorização da Cultura A’Uwẽ, com a participação de jovens, professores, lideranças indígenas, anciões e representantes da Polícia Militar e da Secretaria de Assistência Social do município de Bom Jesus do Araguaia.

No evento, promovido pela Funai por meio da Coordenação Regional de Ribeirão Cascalheira e da Coordenação-Geral de Promoção da Cidadania – CGPC/DPDS, foram discutidos temas importantes para a valorização da cultura Xavante, incluindo o enfrentamento ao uso de álcool e drogas, situações de vulnerabilidade sociocultural, acesso aos programas Bolsa Família e Auxílio Maternidade, dentre outros.

Os professores indígenas destacaram a importância do encontro na perspectiva de propor outros caminhos, sensibilizando os jovens a aprenderem um pouco mais sobre a importância de ouvir os anciões, detentores de histórias, usos e costumes de seus antepassados.

Crianças participam de atividades do encontro

Crianças participam de atividades do encontro

Zeferino, liderança Xavante, destacou que “antigamente, os homens tinham respeito com suas mulheres, hoje estão abandonando a cultura, se envolvendo com bebida alcóolica. Antigamente bebiam raiz para dar coragem, hoje bebem bebida para ter coragem e ficar bravo”. Reforçando a importância do diálogo entre as gerações, ele conclama os jovens para que “participem bem do encontro para aprender as coisas dos velhos, coisas boas da cultura Xavante, que precisa fortalecer mais a participação dos jovens nas reuniões e no warã, e eles devem ouvir mais velhos”.

Maria das Graças mostra batatas usadas pelos Xavante

Maria das Graças mostra batatas usadas pelos Xavante

Maria da Graça, anciã, falou sobre a importância do resgate da alimentação tradicional Xavante, dizendo que “a alimentação de antigamente era mais forte para as crianças do que a de hoje”, e ressaltou que também para as gestantes e os jovens “as dietas são muito importantes, para não dar doenças”. Cecília, anciã, falou da dificuldade de encontrar ervas medicinais, devido às queimadas, e também da dificuldade dos professores de trabalhar em sala de aula conhecimentos da cultura Xavante sobre a identificação e uso de recursos naturais, tais como raízes, fibras, ceras e outros.

Após a fala dos professores, lideranças e anciões, a professora Carolina Rewaptu e a servidora Maria Helena, da CGPC, trabalharam em grupos para tratar das questões “o que a juventude A’Uwẽ deve fazer na relação grupo social para fortalecer a cultura?” e “o que os velhos pensam que a juventude A’Uwẽ de Marâiwatsédé deve fazer na sua comunidade para fortalecer a cultura?”

Representantes da Polícia Militar dos municípios de Bom Jesus do Araguaia e Novo Santo Antônio falaram sobre o uso de drogas e as suas consequências. Zeferino, liderança, pediu apoio dos policiais para ajudar na questão de venda de bebida alcóolica aos indígenas de Marãiwatsédé.

A participação da equipe Secretaria de Assistência Social da cidade de Bom Jesus do Araguaia também foi importante para prestar esclarecimentos aos indígenas sobre os programas do Governo de acesso a benefícios, tais como o Bolsa Família e Auxilio Maternidade.

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Cacique Damião fala durante encontro

As atividades incluíram ainda apresentações da cultura Xavante como pintura corporal, corrida de tora, ritual de caçada e pintura da´uburã, e encerraram-se com a participação de lideranças Xavante em encontro com os jovens e entrega de certificados. Também foram encaminhadas propostas de trabalhos para 2015 e 2016, a serem desenvolvidas pelos Xavante com a Funai e parceiros.

O cacique Damião Paridzané agradeceu à equipe pela realização dos trabalhos e ressaltou sua importância, especialmente no fortalecimento dos Xavante de Marãiwatsédé para enfrentar questões advindas do contato com não índios, como o uso de drogas e bebidas alcóolicas.

Fonte: Funai

Imagens: Joarcênia Setúbal

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