Associação Terra Viva recebe visita técnica do primeiro curso de Agroecologia para Tapirapés

O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) campus de Confresa – MT está ofertando o primeiro curso Técnico Subsequente em Agroecologia ao povo Tapirapé, na aldeia Urubu Branco, por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATC).

Por Dandara Morais

O curso terá duração de um ano e meio e teve início em julho de 2014. Felipe Gimenes, engenheiro florestal e professor do IFMT, explica que o objetivo do curso é levar conhecimento prático e científico para a comunidade indígena Tapirapé. Os professores são facilitadores e buscam diminuir as distâncias existentes entre as duas culturas para que o conhecimento seja absorvido de modo integral.

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As aulas acontecem na Escola Indígena Estadual Tapi’itãwa na aldeia Urubu Branco. Felipe Gimenes avalia que teoria e prática devem andar juntas, por isso, as visitas técnicas são de suma importância para a assimilação do conhecimento. “Levar eles na agrofloresta já estabelecida da Associação Terra Viva, que possui mais de 400 espécies em uma área pequena, 5 mil metros quadrados, faz com que eles acreditem no que estamos falando diariamente, o potencial do sistema agroflorestal”, comenta Felipe Gimenes.

Para Valdo da Silva, presidente da ATV, o sistema agroflorestal tem nome agora, mas lembra que seu avô já trabalhava deste modo “Numa pequena área tinha-se de tudo, plantação de arroz, feijão, banana, abacaxi, toda alimentação da família vinha do próprio quintal, era assim que se vivia, em harmonia com a natureza”.

A sede da ATV é reprodução do modo de vida que ele aprendeu, um consórcio natural entre o homem e o meio ambiente. Uma chácara dentro da cidade de Porto Alegre do Norte-MT onde você se depara com as múltiplas faces de vida. Um quintal da agrofloresta com viveiro, casa de sementes, biblioteca e múltiplas espécies arbóreas e animais.

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Em cinco meses de curso, alunos e professores, já conseguiram construir um viveiro na aldeia Urubu Branco, onde o trabalho de identificação de árvores matrizes, coleta de sementes, preparação de substratos, produção de mudas e o plantio no campo foram feitas pelos próprios alunos. Felipe Gimenes destaca algumas espécies cultivadas na área experimental da aldeia de 4 mil metros quadrados “Plantamos milho, melancia, feijão guandu, pau D’arco, feijão de corda, açaí, murici, tamarindo,  angico, bacaba, tarumã e algumas palmeiras, tudo de maneira consorciada,” diz Felipe Gimenes.

Na visita a sede da Associação Terra Viva (ATV) os alunos ficaram admirados com a quantidade de frutas, conforto térmico, quantidade de matéria orgânica e atrativo para a agrofauna encontrados: “Eles viram a grande capacidade que a agrofloresta tem de modificar a história de um determinado local tanto na alimentação, qualidade de vida e bem estar.” Diz Felipe Gimenes.

Imagem: Dandara Morais

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