Prelazia de São Félix do Araguaia recebe os Agentes da Campanha Nacional de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo

“Foi a realização de um sonho estar pela primeira vez em São Félix do Araguaia” Ruben Siqueira, da CPT Nacional

Por Rafael Oliveira e Cláudia Araújo

A histórica cidade de São Félix do Araguaia (MT) recebeu entre os dias 21 e 25 de abril o Encontro Nacional da Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo e a primeira etapa do plano de formação de agentes da Campanha da Comissão Pastoral de Terra (CPT) de 2015.

Assessorado por Ruben Siqueira, membro da CPT Bahia e da Coordenação Nacional, o encontro reuniu agentes pastorais de oito estados atuantes na Campanha – BA, MA, MG, MT, PA, PI, RO e TO e integrantes do Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán, de Açailândia (MA).

A reunião teve como foco discutir e rememorar o que é a CPT, abordando sua missão, espiritualidade e a relação com a teologia da libertação. “Sou imensamente grato à Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo por fazer um primeiro encontro nacional da CPT aqui e me convidar para assessorá-lo”, afirma Ruben.

Naturalmente, a história da CPT também foi trabalhada com especial atenção, principalmente pelo local onde o encontro foi realizado. O município de São Félix do Araguaia e região são símbolos da resistência dos camponeses e dos povos indígenas diante da exploração do latifúndio.

É em São Félix onde ainda reside Dom Pedro Casaldáliga, um dos fundadores da CPT e a primeira figura a fazer uma denúncia pública referente à existência de trabalho escravo no Brasil. Estar em uma terra recheada de história e mística reanima e inspira a caminhada dos agentes da Campanha, que tomam como exemplo Dom Pedro Casaldáliga na entrega a uma missão de partilha e acolhimento do povo camponês.

Além da formação houve ainda a partilha das experiências através de um memorial de fotos e a construção coletiva de uma mandala como instrumento avaliativo das dificuldades e desafios enfrentado pelas equipes que subsidiou as ações para o planejamento deste ano. Na noite do dia 24 de maio tivemos uma bonita celebração presidida pelo Pe Saraiva da Prelazia de São Felix em comemoração dos 18 anos da Campanha de Olho Aberto para Não Virar Escravo.

Os agentes também tiveram a oportunidade de visitar o Arquivo da Prelazia, o museu da cidade, curtir e nadar no Rio Araguaia em época de cheia e ainda celebrar no Cemitério dos peões, que se encontra abandonado, lugar onde muitos peões foram enterrados levando muita historia de violência e luta. Desta celebração foi encaminhado pela turma um oficio á Prefeitura solicitando manutenção adequada ao local.  O encerramento do encontro aconteceu no local da primeira igreja de São Felix do Araguaia, com ás bênçãos do Rio Araguaia.

Crédito: Cláudia Araújo

Crédito: Cláudia Araújo

Abaixo, parte do depoimento de Ruben Siqueira – CPT:

Foi a realização de um sonho estar pela primeira vez em São Félix do Araguaia, depois de tantos anos na CPT (34). Rever Pedro Casaldáliga, respirar o ar de tanta caminhada, de peões, indígenas, camponeses e agentes de pastoral de uma pequena e imensa igreja de Cristo, luminosa, provado no martírio sua fidelidade a Jesus do Evangelho, como poucas a concretização da Boa-Notícia aos pobres e oprimidos. Sou imensamente grato à Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo por fazer um primeiro encontro nacional da CPT aqui e me convidar para assessorá-lo, com o tema “CPT – missão, história, espiritualidade e Teologia da Libertação”. Não poderia ter lugar melhor!

Sinto-me renovado na fé e na Caminhada, pela visita ao Santuário dos Mártires em Ribeirão Cascalheira sob chuva grossa; pela reza matinal no Cemitério (abandonado) dos Peões, a cheia do Araguaia quase o invadindo; pelo filme sobre Pedro “Descalço sobre a terra vermelha” e pelo emocionado reencontro com ele depois de tanto tempo, na partilha da oração, da mesa e da conversa com ele, os padres Félix, Ivo e Saraiva e a companheira Zezé dos tempos do Nacional em Goiânia. Um bálsamo depois de tanta devastação operada pelas monoculturas do agronegócio vista ao longo das estradas desde Cuiabá.

 “Saber esperar, sabendo / que o tempo já não existe”, diz um de seus poemas. Tempo de correr contra o tempo e adiantar a Caminhada. Vou de São Félix levando nos braços marcas Karajás para prolongar a lembrança destes dias. Nas mãos o frescor das mãos diáfanas de Pedro. No coração sua imagem vitoriosa.

Ruben Siqueira – CPT Bahia / Nacional

Fonte: Jornal Alvorada

Imagens: Cláudia Araújo

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