Jornalista relata história do povo de São Félix do Araguaia

Livro “Memória e Libertação” será lançado hoje em Cuiabá

Por Angélica Moraes/SECEL, com edição de Maíra Ribeiro

A jornalista Arcelina Helena Públio Dias lança, hoje (11 de junho), no Salão Nobre do Palácio da Instrução, em Cuiabá, o livro Memória e Libertação (Editora Ave-Maria) onde relata as histórias de luta do povo da Prelazia de São Félix do Araguaia pelo direito à terra durante os anos de ditadura militar. O livro é ilustrado pelos murais coloridos pintados pelo artista plástico espanhol Cerezo Barredo.

Réplicas destas imagens farão parte de uma exposição que será aberta durante o lançamento. Os murais, que foram fotografados e ampliados, estarão acompanhados de poesias do bispo emérito da Prelazia, Dom Pedro Casaldáliga.

Ao longo de cem dias a escritora conviveu e conversou com o povo da Prelazia de São Félix e colheu relatos de pessoas que hoje se orgulham de sua história e de ter vencido as perseguições ao lado de Dom Pedro, na época bispo que assumiu o papel de liderar a resistência.

“Este livro mostra um Brasil de histórias de força, um Brasil de necessidades primárias, um Brasil de soluções criativas empolgantes, longe dos holofotes do poder central. É um Brasil que tem muito a ensinar e a ser reconhecido por meio das histórias que compõem a peregrinação da autora pelo resgate da dignidade anônima de tantos cidadãos e cidadãs cujas vidas dizem muito mais do que os falaciosos números estatísticos ou os relatos da história oficial.”

Edvaldo Pereira Lima, jornalista e professor da USP, autor do prefácio de “Memória e Libertação”

Os murais

Murais de Cerezo Barredo em igreja da Prelazia de São Felix do Araguaia. Imagem: SEC/MT

Murais de Cerezo Barredo em igreja da Prelazia de São Felix do Araguaia. Imagem: SEC/MT

Pintados entre os anos de 1977 e 2001 pelo padre e pintor espanhol Maximino Cerezo Barredo, os painéis estão localizados nas igrejas de sete dos inúmeros municípios da Prelazia de São Félix de Araguaia (São Félix, Luciara, Santa Terezinha, Ribeirão Cascalheira, Vila Rica, São José do Xingu e Querência).

As pinturas mesclam a luta do povo com histórias bíblicas. Cerezo Barredo é considerado um dos grandes muralistas das lutas dos povos da América Latina e tem obras nos cinco continentes.

“Em pequenas e modestas igrejas com poucos habitantes, majoritariamente pobres, Cerezo Barredo materializou nos murais o rosto dos povos e das culturas, suas lutas e suas vidas movidas pela fé no Deus dos pobres”, observa Arcelina.

Os 12 Murais da Libertação foram tombados em 2004 pela Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso com o objetivo de preservar, não apenas as obras de arte, mas também a história de um povo.

Peregrinação

Memória e Libertação, no entanto, faz parte de um projeto maior de peregrinação jornalística de 500 dias entre pobres e excluídos dos cinco continentes com o objetivo de escrever cinco livros. A obra sobre a luta em São Félix é o quarto título dessa série.

Arcelina Helena deu início à peregrinação em 1999. O primeiro livro, intitulado “Sinais de Esperança”, mostra a realidade dos excluídos das três Américas – os sem teto dos Estados Unidos, os meninos de rua da Colômbia e os desempregados do México, que se arriscavam na travessia do Rio Grande para chegar aos Estados Unidos, entre outros.

O segundo livro, “Perdão, África, Perdão!”, é o resultado de uma peregrinação ao continente africano e ao Oriente próximo. “Lá convivi com os pobres, os sem paz, os sem pátria, condenados a morrer de fome ou de Aids, entre outras doenças”, revela a autora.Em ambas as obras, Arcelina fala ainda sobre o acolhimento que teve dos grupos que ajudavam as comunidades de excluídos. “Contei com a ajuda destas pessoas para fazer a abordagem do público-alvo dos meus relatos”, revela.

Em 2006, a escritora foi para a Europa peregrinar pelos mosteiros das diferentes igrejas e religiões, o que resultou no livro “Além do Silêncio”. “Entre monges e monjas que optaram pela auto-exclusão do mundo, dedicando-se às orações, meditações e práticas de uma vida simples, longe do consumismo e dos agitos do nosso século, aprendi soluções simples para os problemas que criamos”, observa Arcelina.

A autora

Jornalista desde 1968, Arcelina Helena Públio Dias foi redatora no Jornal do Brasil e no Estado de São Paulo. Dirigiu o Jornal do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). Foi assessora de imprensa no Senado Federal, no Governo de São Paulo e coordenadora de Comunicação do Ministério do Trabalho. Foi também professora da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília (UnB).

Fonte: Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso e release do livro “Memória e Libertação”, edição Maíra Ribeiro

 Imagem: Divulgação

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