Terra de Esperança – Exposição em São Félix do Araguaia

Exposição traz a história da luta pela terra no Araguaia

Por Lilian Brandt/ AXA

A Exposição “Terra de Esperança” trata sobre os conflitos fundiários na região do Araguaia. Ela apresenta a situação de 1968, ano da chegada de Pedro Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, até 1980.

São documentos, recortes de jornais, fotografias e textos explicativos que lembram grandes momentos: as Campanhas Missionárias, as Assembleias do Povo, as primeiras missas e a vida cotidiana.

A exposição retrata também pessoas importantes na história da região, como Tia Irene, as irmãzinhas de Jesus, Padre Francisco Gentel, João Bosco além, é claro, de Pedro. “A luta pela terra foi uma das grandes dificuldades que o Pedro encontrou aqui”, disse Zilda Martins de Souza,  responsável pelo arquivo da Prelazia.

O projeto é produzido pela Prelazia de São Félix do Araguaia, ANSA (Associação de Educ. e Assist. Social NS Da Assunção) e SIC (Sociedade Inteligência e Coração). Zilda Martins de Souza e Raul Vicco Ferré fizeram a pesquisa, seleção de material e organização dos textos.  A exposição é acompanhada por um livro que trata da história da ocupação do Araguaia e do Xingu, trazendo textos, imagens e dados sobre economia, política e os conflitos fundiários decorrentes da grande desigualdade social.

Pedro durante a abertura da exposição. Imagem de Zilda Souza.

Pedro durante a abertura da exposição. Imagem de Zilda Souza.

A exposição pode ser conferida no Centro Comunitário Tia Irene, em São Félix do Araguaia, até 20 de dezembro de 2015.

Acervo conta com 350 mil documentos

A exposição traz à tona apenas uma pequena parte do acervo do arquivo. As possibilidades de produções a partir do material são inesgotáveis. O acervo conta com mais de 350.000 documentos. Destes, 50 mil são correspondências de Pedro, tanto enviadas, quanto recebidas.

O processo de classificação dos documentos do Arquivo da Prelazia de São Félix do Araguaia teve início em 1972. “Pedro sempre guardava tudo. Como a chegada da Tia Irene, ela começou a selecionar, catalogar e assim criou o arquivo. Depois ela fez um curso por correspondência de arquivista. Até hoje seguimos o mesmo método que ela utilizava”, disse Zilda.

O arquivo tem ainda documentos, fotografias, vídeos, LPs e CDs. O material trata sobre os mais diversos assuntos, como a Guerrilha do Araguaia, a Amazônia Legal, Direitos Humanos, os povos indígenas e as cidades da região. Hoje o acervo está todo digitalizado, com a contribuição de diversos voluntários.

“Quem mais nos procura são professores e alunos de universidade”, afirmou Zilda. Existem mais de 80 teses que utilizaram o arquivo da Prelazia como referência, e todas estão disponíveis para consulta. Há disponível, ainda, todos os livros que Pedro escreveu, além daqueles em que ele teve participação.

“Com essa exposição, nós esperamos que alunos e professores despertem interesse para o arquivo. Somos procurados por pessoas de longe, mas as pessoas daqui às vezes desconhecem.”

Professores e demais interessados a em agendar um grupo, entre em contato com: zildarquivo@gmail.com

legenda: Pedro durante a abertura da exposição.

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