Ministério Público do Mato Grosso investiga o impacto socioambiental das monoculturas e dos agrotóxicos no Médio Norte Araguaia

O “Primeiro Encontro sobre Agrotóxicos e seus impactos sobre as populações tradicionais do Médio Araguaia” reuniu representantes de povos indígenas e comunidades tradicionais no município de Porto Alegre do Norte/MT.

Por Lilian Brandt (adaptado de Assessoria de Comunicação MPF)

Os participantes encaminharam um Ofício ao Ministério Público Federal, em que afirmam ter seus modos de vida ameaçados “por uma visão unilateral e que se quer única do que seja o progresso humano. São monoculturas no sentido mais forte que essa palavra pode ter: só acreditam numa cultura única”.

Houve ainda relatos do aumento de casos de aborto em Canabrava do Norte/MT em períodos em que há aumento na pulverização de agrotóxicos, fato que será objeto de apuração em inquérito civil instaurado na Procuradoria da República em Barra do Garças/MT.

Os participantes fizeram requerimentos solicitando investigação dos casos de ameaças a lideranças de camponeses, indígenas e defensores dos direitos humanos; de investigação dos impactos dos agrotóxicos na saúde das pessoas e no ambiente da região do Médio Araguaia; e a garantia de proteção dos rios, córregos, varjões e do próprio Rio Araguaia, considerando o legado de conhecimentos dos povos e comunidades que tradicionalmente habitam a região, entre outros.

Diante das reivindicações das povos e comunidades tradicionais, o Ministério Público Federal em Barra do Garças instaurou um inquérito civil com objetivo de apurar o impacto socioambiental causado pelo avanço das monoculturas na região do Médio Norte Araguaia, especialmente sobre os povos e comunidades tradicionais e seus territórios.

O Ministério Público Federal expediu ofício à ANVISA e aos órgãos de saúde municipais e estadual, para que contribuam com informações buscando a mitigação dos problemas relatados pelos povos e comunidades tradicionais do Médio Norte Araguaia.

A Audiência Pública aconteceu entre os dias 18, 19 e 20 de dezembro de 2015. Participaram da Audiência Pública indígenas das etnias Kanela do Araguaia, Tapirapé, Xavante e Karajá, quilombolas, retireiros, pescadores e agricultores familiares.

Imagem: Ideia Web

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