Oficina valoriza as riquezas dos frutos do Cerrado

Mulheres assentadas aprendem receitas e trocam experiências e informações em defesa do Cerrado.

Mel Mendes/AXA

A Associação Terra Viva (ATV), em parceria com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Associação Tapirapé, realizou, em Porto Alegre do Norte (MT), a “Oficina de aproveitamento de frutos do Cerrado”. A atividade reuniu 21 mulheres de projetos de assentamento (PAs) da região, entre eles o PA Manah, PA Jandaia e PA Liberdade, e contou com o apoio do Instituto Socioambiental (ISA).

Na primeira parte da oficina as mulheres discutiram sobre a importância do bioma Cerrado, os desafios para o desenvolvimento e os impactos das monoculturas para a sociobiodiversidade da região, e conheceram mais sobre os diferentes povos que habitam o Cerrado.   Na segunda parte da atividade, foram apresentadas diferentes alternativas para o aproveitamento dos frutos do Cerrado.

Frutos do Cerrado utilizados durante oficina. Foto: AXA.

Frutos do Cerrado utilizados durante oficina. Foto: AXA.

Foram dias ricos em saberes e sabores. Juntas, as mulheres cozinharam, sorriram e aprenderam novas receitas com as frutas típicas da região. Com o jatobá, fizeram o bolo, o mousse e os sequilhos. Com o caju, aprenderam a fazer bolo comum, bolo frito e até vinagrete. Da macaúba fizeram bolo e sorvete e mousse. Também teve o sorvete de pequi, biscoito de buriti, licor de jenipapo e outros. Além das receitas programadas para a oficina, cada participante trazia a sua receita, seu jeito de fazer, enriquecendo ainda mais o momento.

Dona Raimunda Lima, coletora da Rede de Sementes do Xingu, participou da oficina já sabe bem o que fazer com o conhecimento adquirido. “ O Cerrado é muito rico. A gente não precisa procurar coisas fora. Tem tudo aqui.  Agora eu vou fazer essas receitas que aprendi para vender na feira municipal. É mais uma renda pra gente, né? Devemos valorizar o Cerrado e não deixar que destruam tudo com a soja”, destacou a coletora.

Algumas das receitas feitas pelas participantes. Foto: AXA.

Algumas das receitas feitas pelas participantes. Foto: AXA.

Dentro da programação da oficina, aconteceu também a apresentação da campanha nacional em defesa do Cerrado “Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”. A ação, busca alertar a sociedade e denunciar a destruição do bioma Cerrado e as violências contra os povos e comunidades que vivem nesse ambienta e é promovida por 36 organizações, movimentos sociais e entidades religiosas de todo o país.

Para Cláudia Alves de Araújo, da Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX), uma das organizadoras da oficina, a atividade contribui para a autonomia e valorização do modo de vida das famílias. “É uma forma de valorizar o Cerrado e seus frutos. As mulheres perceberam que com seus diferentes usos é possível gerar renda e contribuir para a soberania alimentar das suas famílias”, afirmou Cláudia.

A oficina, atividade do projeto Sociobiodiversidade Produtiva do Xingu, realizada com recursos do Fundo Amazônia, deixou um gosto de quero mais. Ao término, as participantes solicitaram que sejam realizadas mais oficinas sobre este e outros temas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *