Caderno de Conflitos no Campo

 

Por Liebe Lima/AXA

Tocaia…

A espreita da morte pulsando na mornidão da tarde. Mais um dia se foi.

Quando anoitece,

O desejo de vida nos empurra pro amanhecer.

Ofego uma última vez,

É bala que veio

Acertando em cheio meu coração.

O garimpo…

É Floresta derradeira que vai…

Eu e ela, tombados, sob sete palmos de chão.

 

Ao longo de 32 anos a Comissão Pastoral da terra – CPT vem sistematizando e publicando o “Caderno Conflitos no Campo” Sem dourar pílula sobre a violência que sofrem trabalhadores e trabalhadoras por todo o Brasil, quando enfrentam e se tornam vítimas das truculentas disputas pela terra. Ao longo do último ano temos visto os conflitos agrários se acirrarem em consequência de uma política declaradamente predadora de direitos sociais e ambientais no Brasil.

No Caderno de Conflitos no Campo de 2016, está mapeado um aumento de 32% no número de municípios com ocorrência violentas em relação ao ano anterior. Foram 2.639 famílias expulsas de 1.295 ocupações e retomadas de acampamentos, significando um aumento de 232%, pois em 2015, eram 795 famílias. Os conflitos por terra é o maior dos últimos 10 anos.

O último tiro foi disparado pelo Governo Federal quando no dia 23 de agosto/2017, extinguiu por decreto, a Reserva do Cobre (RENCA) localizada entre o Pará e Amapá, com cerca de 47 mil quilômetros de floresta, e, de quebra, autorizou a exploração por mineradoras estrangeiras. A terra indo a leilão, tratada como mercadoria barata e os que vivem nela sujeitos a tragédias como a que ocorreu em Mariana- MG com a morte da bacia do Rio Doce. Tal decreto é um anúncio trágico da chegada de grandes empreendimentos com um impacto devastador causado pela mineração, trazendo mais disputas e conflitos para a Amazônia.

A abordagem sobre os conflitos fundiários acontece em diálogos permanentes realizados pela Comissão Pastoral da Terra – CPT na região do Araguaia, através de parceria firmada entre CPT e Prelazia de São Félix do Araguaia com o Fórum de EJA – Educação para Jovens e Adultos. Este é um movimento social que ocorre na região de Porto Alegre do Norte – MT a 10 anos e reúne vários segmentos da sociedade e instituições parceiras para elaborações, que, neste ano, girou em torno das reflexões sobre o Currículo e Concepções: Reflexão sobre as Ações dos Elementos de EJA. Este é um espaço especial para a troca de saberes, reflexões capazes de ampliar a consciência e potencializar o debate em torno das causas sociais, protagonizado não por representantes, mas pelos próprios sujeitos, mulheres e homens da agricultura familiar, que através da educação, se empoderam e reivindicam seus direitos.

Foi neste contexto que a Comissão Pastoral da Terra – CPT e demais instituições que integram a Articulação Xingu Araguaia – AXA, apresentaram o Caderno de Conflitos no Campo, com a participação de 300 pessoas que cantaram em homenagem aos que tombaram em Pau d ‘ Arco – PA, o poema de João Cabral de Melo, com o trecho da peça Morte e Vida Severina, lamento nordestino, que é lamento de todo o Povo: “não é cova grande, é cova medida, é a terra que querias ver dividida”.

Convidamos você a conhecer a realidade do campo no Brasil e se engajar conosco na luta por justiça social. Trazendo à luz as práticas que produzem concentração de muita riqueza/terra nas mãos de poucos e distribuição de miséria na boca de muitos.

Encontre todas as edições do Caderno de conflitos no campo acessando:

https://www.cptnacional.org.br/publicacoes-2/conflitos-no-campo-brasil

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