O semblante da Injustiça atemporal

Por Liebe Lima/AXA

Hoje nos ocorreu o desejo de parar, fechar os olhos e imaginar a face do Brasil, desse Brasil que é profundo e alargado de horizontes que não se findam por distâncias, apresentando diferenças e desigualdades abismais em seu semblante. Das suas características mais marcantes, a cor que salta aos olhos é a cor de terra, seguida do verde que em nosso imaginário sempre vestes.  Logo esse tom vai colorindo tudo e tu te tornas o imenso chão que és para homens e mulheres que são nascidos de ti e contigo lutam pela partilha justa da terra.

Em sua biografia nos contaram uma história de navegações e descobertas por homens desbravadores e uma grande conquista. Eternizaram seus bustos em praças públicas empunhando espadas, para garantir que suas façanhas fossem transmitidas a todas as gerações sem mencionar a versão daqueles que estiveram e permanecem sob as patas de seus cavalos, bois, e, por fim, não são mais patas, são objetos alados que voam despejando toda sorte de pesticidas que envenenam as gentes, águas e terras abaixo de si. Se não estivéssemos presentes, vendo de fato estes acontecimentos atuais e um visionário intuísse, diríamos que seria uma história muito ruim, um pesadelo impossível! No entanto, não só é possível como é narrado como um grande e maravilhoso avanço tecnológico para a produção que o coloca entre os maiores exportadores de grãos do mundo.

Para chegar no futuro, seu passado veio se transportando em navios negreiros, com pessoas trazidas da África e comercializadas como bois, a cavalo caçavam índios para o trabalho forçado nas lavouras e assim, estes mesmos latifúndios e latifundiários com sua lógica de servidão permanecem empunhando suas bandeiras e se reproduzindo ao longo do tempo sob o signo da violência contra os Povos Originários e populações nativas que têm sido expropriadas de seus direitos plenos sobre a terra.

O preço? Pagam os invisíveis, minorias cujas vozes são silenciadas e tal qual os rios e matas objetificados.

A dívida? É da história…

A Injustiça histórica?  Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal que votará o Marco Temporal dia 16 de agosto de 2017.

Queremos igualdade de justiça para todos!

Queremos justiça social!

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