A “violência estrutural” é tema de reflexão no Seminário de abertura da Mostra Socioambiental do Araguaia.

Por Liebe Lima/AXA

Neste 15 de junho a VI Mostra Socioambiental de São Félix do Araguaia, realizou sua abertura em um seminário que trouxe o tema “Araguaia Rios Vivos”. Na presença de agricultores, indígenas e da comunidade regional, falaram o Engenheiro Agrônomo Sebastião Pinheiro, do Núcleo de Economia Alternativa (NEA) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lola Campos Rebollar da Articulação Xingu Araguaia (AXA), Marco Antônio Gallo e Padre Alex, ambos da Prelazia de São Félix do Araguaia.

Ana Lúcia Silva Sousa da Associação de Educação e Assistência Social Nossa Senhora da Assunção (ANSA), instituição que organiza o evento, expressa o cuidado que a organização tem ao planejar, para que a Mostra seja, não só uma grande festa, mas também um espaço para reflexão e diálogo participativo, sobre os temas que impactam diretamente as atividades produtivas da agricultura familiar, dos povos indígenas e do bem viver, com o objetivo de promover práticas baseadas no princípio da sustentabilidade.Mesa do seminário de abertura da VI Mostra Socioambiental do Araguaia – Foto: Liebe Lima/AXA

As informações compartilhadas por Sebastião Pinheiro em sua apresentação, repercutiu na seriedade da plateia que ouvia atenta sobre a perspectiva histórica do consumo de agrotóxicos no mundo, destacando como o Brasil se tornou o maior consumidor do planeta e quais interesses esta indústria mortífera contempla. Tais reflexões, aprofundaram o conhecimento sobre os impactos e consequências na saúde da população pelo uso indiscriminado destas substâncias.

Além disso, observamos as ilustrações de como a ciência se apropria do conhecimento da medicina e agricultura tradicional, invisibilizando os sujeitos detentores destes saberes, para então, acionar a máquina que nos transforma em massa de consumo, perpetuando assim, o ciclo de concentração de riquezas e desigualdade social.

Desde este contexto denominado por ele de “violência estrutural” que Sebastião Pinheiro deixa para a plateia a seguinte pergunta:

Uma sociedade em que os pobres são obrigados a comer alimentos envenenados e somente os ricos podem pagar por alimentos saudáveis é democrática? É fraterna?

 

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