As mulheres na IV Mostra de Educação CEJA em Confresa, MT

Por Liebe Lima/AXA

O Centro de Educação de Jovens e Adultos – CEJA Creuslhi de Souza Ramos em Confresa, MT realizou neste mês de novembro a IV Mostra de Educação CEJA e II Feira de Economia Solidária com a participação de toda a comunidade. As oficinas estiveram abertas a todos que quiseram vir trabalhar nos variados temas que foram abordados, desde a culinária vegana, com a preparação de carnes de caju e jaca, como também artesanatos a partir materiais diversos, plantios agroecológicos, hidropônia e comunicação popular.

Neste ano o tema gerador da Mostra foi “Mulheres, Sementes, R_existência, identidade, gênero e geração de renda” e para quem passou por lá, não havia como passar desapercebido ou não se sensibilizar, pois estava em toda parte, se expressando nos variados cartazes, artes manuais e textos que foram criados pelos alunos ao longo do ano. A perda de uma aluna do CEJA, vítima de feminicídio em 2019 foi um fato que causou grande comoção e desencadeou a consciência sobre a importância de refletir em torno do assunto e buscar formas de prevenção e proteção de mulheres e crianças vítimas da violência.

Vídeo com depoimento da Professora Maria José do CEJA de Confresa, MT

Durante todo o evento que ocorreu entre os dias 06 a 09/11 os corredores do CEJA ficaram lotados com a mostra e venda de produtos da agricultura familiar trazidos pelos grupos de comunidades do entorno e de municípios vizinhos. A grande presença da agricultura familiar na região se dá pela ocupação de 61% do território municipal de Confresa destinado à Reforma Agrária, com 15 projetos de assentamentos e segundo informações do INCRA, com 4.785 famílias assentadas, o que a torna a capital da reforma agrária no Brasil. Com esta característica de grande riqueza na produção de alimentos a cidade realiza quatro feiras semanais para venda direta dos produtos ao consumidor.

Mostra de produtos da Agricultura familiar no CEJA – Creslhi de Souza Ramos – Foto: Liebe Lima/AXA

A II Feira de Economia Solidária foi levada para o CAMILÂO no centro da cidade e os indígenas do Povo Tapirapé, da Terra Indígena Urubu Branco, que ocupam 3% do território de Confresa, trouxeram seus produtos e artesanatos com a presença de muitas mulheres, jovens e crianças. Eles emprestaram à Feira, os seus tons de diversidade, colorindo e matizando a mistura das muitas e diferentes gentes que vieram trazendo sua produção e iniciativas socioambientais e artísticas. A  ARSX – Rede de Sementes do Xingu apresentou o trabalho de coleta de Sementes florestais para a recuperação de áreas degradadas e plantios de florestas, o IFMT – Instituto Federal de Mato Grosso com o Coral de alunos cantando arranjos de autores da Musica Popular Brasileira e peças do imaginário popular como a “Lua Girou” que ficou conhecido na voz de Milton Nascimento.

Indígenas do Povo Tapirapé participando da II Feira de Economia Solidária de Confresa, MT – Foto: Liebe Lima/AXA

O evento realizado pelo CEJA na IV Mostra de Educação é uma expressão prática do que pode vir a ser a imanência desde a escola irradiando para toda a comunidade o seu papel propositivo para que a sociedade elabore sobre temas que nos requerem reflexões sérias, assim como o faz Paulo Freire quando diz em sua pedagogia do oprimido: “Gosto de discutir sobre isto porque vivo assim. Enquanto vivo, porém não vejo. Agora sim, observo como vivo”.

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