A marcha para o Oeste

Getúlio Vargas inaugurou a Marcha para Oeste na tentativa de deslocar contingentes humanos do litoral para as áreas de interior dos estados de Paraná, Goiás (que na época incorporava Tocantins) e Mato Grosso (que na época era também Mato Grosso do Sul). Seu objetivo era fazer avançar a fronteira civilizatória e incorporar esses territórios à unidade nacional. Para tornar possível esse desafio, o presidente encarregou o ministro da Coordenação de Mobilização Econômica, João Alberto Lins de Barros, de promover a interiorização do Brasil: assim nasceu a Fundação Brasil Central, e imediatamente, foi anunciada a criação da Expedição Roncador-Xingu. Iniciada em 1943, desbravou o sul da Amazônia e travou contato com diversas etnias indígenas ainda desconhecidas. Uma epopeia que entrou para a História como das maiores aventuras do século XX e que foi liderada pelos três irmãos Villas-Boas: Leonardo, Cláudio e Orlando. Naquela época, Anápolis era a maior cidade do Centro-Oeste. Brasília ainda não existia e alguns dizem que, durante o governo Vargas, o ponto onde atualmente se ergue a cidade de Nova Xavantina foi cogitado como um dos possíveis locais para a construção da nova capital brasileira. A viagem para alcançar o Araguaia Xingu fazia-se por estrada de chão até a cidade de Barra do Garças, que obteve o status de município em 1948, transformando-se no maior município do Brasil com 273.476 mil km. Ao norte, a sociedade nacional fazia-se presente nos pequenos aldeamentos situados na beira do Araguaia: Santa Terezinha, Luciara, o Serviço de Proteção do Índio, os restos de povoados garimpeiros do Rio das Mortes e a cidade nascente de Nova Xavantina.