Trabalhadores sem terra do Mato Grosso sofrem despejo e ainda enfrentam truculência por parte da Polícia Militar

Cerca de 367 famílias mato-grossenses, que ocupavam uma área da antiga Fazenda Gleba Pombal, localizada entre os municípios São Pedro da Cipa, Jaciara, Jucimeire e Dom Aquino, sofreram mais uma ação de despejo, a partir de uma decisão expedida pela justiça agrária do Mato Grosso. Há mais de dois anos na área, os ocupantes, que são representados pelo Movimento de Luta Pela Terra (MLT), estão inconformados com a decisão.

Os trabalhadores sem terra se sentem injustiçados com a determinação, principalmente por saberem que a fazenda era improdutiva e estava abandonada há mais de 10 anos. Até o momento, nem o processo de Reforma Agrária da fazenda avançou e, para piorar, os ocupantes que estavam produzindo foram despejados. “Ou seja, agora, a Fazenda Pombal significa mais terra no Brasil sem cumprir seu papel social que é produzir”, avalia Jaciel Bueno, coordenador nacional do MLT.

Após o despejo e sem terem para aonde ir, as famílias que ocupavam a Fazenda Gleba Pombal foram obrigadas a armarem o acampamento às margens da rodovia MT 472. Observando esta situação e tentando desmotivar o movimento organizado de luta pela área, o policial militar do Mato Grosso, identificado como tenente-coronel Moraes, decidiu, durante a manhã desta terça-feira, realizar uma varredura na área e, com tom áspero, dissipou palavras ordenando a desocupação da área às margens da rodovia. Além da forma truculenta como se dirigiu aos acampados, o policial teria amaçado realizar a prisão de coordenadores do MLT.

Jaciel BuenoJaciel Bueno, que foi um dos ameaçados, conta como a ação aconteceu. “Nós saímos da área, assim como a justiça determinou, e fomos ocupar as imediações, já que não temos para aonde ir. Estávamos na paz aqui, quando este policial chegou com truculência fazendo um papel que não é dele. Não aceitamos a imposição dele e fizemos questão de demonstrar. Foi quando o tenente-coronel Moraes começou a nos ameaçar, dizendo que iria nos prender”.

Além disso, Jaciel Bueno contesta a autoridade da Polícia Militar nesta situação. Segundo ele, determinação da retirada dos ocupantes é uma incumbência da Justiça Agrária e não da PM. “A Polícia não pode chegar e mandar sair. Esta é uma atribuição da Justiça. O trabalho da Polícia Militar é outro. Nós lamentamos a atitude e acreditamos que ela é totalmente arbitrária”, ressalta.

Preservação da produção

Diante de toda esta situação, o MLT está lutando na justiça para que, pelo menos, a plantação produzida durante o tempo em que os trabalhadores estiveram na área seja poupada e que eles tenham a oportunidade de colher os alimentos.

Para tanto, o advogado do movimento, Rafael Santos, ingressou com um Mandato de Segurança para impedir a destruição da lavoura. “Nós temos quase 20 toneladas de alimentos plantados nestas terras. Cada agricultor tem seu espaço recheado de verduras, frutas, feijão, milho, enfim, de uma porção grande de alimentos. Queremos preservar que tudo isso não seja destruído e que possamos, pelo menos, distribuir esta produção”, informa Débora Kathiuce, coordenadora de educação do MLT.

“Neste sentido, aguardamos sensibilidade da justiça para esta situação, e de forma mais geral, também acreditamos que a Justiça do Mato Grosso será sensível à nossa causa, já que, pelo tempo em que estamos ocupando a terra, mostramos que a área está sendo bem cuidada e a produção está a todo vapor. Não é admissível que esta terra continue parada, sem produzir qualquer coisa que seja, assim como antes de chegarmos nela”, é o que destaca Débora, ao finalizar suas palavras.

Texto: MST/MT

Imagem: MST/MT

Fonte: MST/MT

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