Associação Terra Viva: 27 anos de sementes, flores e frutos

Associação de agricultura alternativa e educação ambiental da região do baixo Araguaia comemora 27 de existência.

Por Dandara Morais/ATV

A Associação Terra Viva (ATV) surgiu em 1988, no município de Ribeirão Cascalheira (MT), com o intuito de lutar junto aos pequenos agricultores pelo direto de viver e trabalhar na terra, preocupada também com a dignidade humana e o compromisso social do individuo para com a sociedade em que vive. Em 2002 a sede da associação muda para cidade de Porto Alegre do Norte (MT) e revalida estes conceitos, só que agora com uma perspectiva mais ampla, é preciso lutar também pela permanência do homem na terra, já que a região está sendo invadida pelo agronegócio.

Esta luta não seria fácil, isso já era sabido, mas com insistência a colheita não poderia ter sido diferente. Desde o início a associação trabalha com conceito e prática em que a qualidade de vida e o respeito às diversidades são princípios de convivência harmoniosa entre o homem e a natureza.

Para o presidente da ATV, Valdo da Silva, “um sonho ecosocial não é só um sonho, são 27 anos de atitude com dignidade e compromisso social. Ações que compactuam com a biodiversidade e as múltiplas formas de vida. Respeito às etnias, raças, orientação sexual, religiosa e cultural, em defesa das qualidades de vidas”.

Semente

Com este intuito de respeito ao homem e a natureza surge o grupo “Casadão” formado por pequenos agricultores que fazem um trabalho de sensibilização junto aos demais e servem de exemplo quando se fala em viver pela terra e da terra. Casadão é como o grupo nominou o plantio pelo Sistema Agroflorestal (SAF), ou seja, o consórcio entre diversas plantas e espécies numa mesma área.

Flores

São 27 anos de Associação Terra Viva e quase 13 anos de Casadão e entre as pessoas que passaram pela região e as que ainda permanecem há um sem números. São as flores desse sistema – consórcio saber popular e conhecimento científico – que se permitem polinizarem outros campos. E neste trabalho de formiguinha, um aqui e outro acolá vão levando a filosofia do Casadão pelo Brasil afora.

Frutos

De todos os sabores, cores e aromas:

  • Recuperação de 300 hectares de Área de Preservação Permanente Recuperadas na região do Baixo Araguaia pelo grupo Casadão;
  • As famílias que iniciaram há 13 anos no Casadão e levaram o projeto adiante hoje estão desfrutando de suas potencialidades, vivem do cultivo de hortas, da venda de polpas e sementes, de artesanato, farinha e de doces;
  • São reconhecidas pelo seu trabalho e história e viram personagens de livro, como é o caso de Maria Ivanildes e Raimunda Alves, agricultores do Araguaia que estão no livro Dez Mulheres Muitas vidas, dos autores Scheilla Gomes e Adenor Gondim. E os agricultores Acrísio Luiz, João Botelho, Luiz Cirqueria, Placides Pereira e Valdo da Silva que ganharam as páginas do livro Agricultores que cultivam árvores no cerrado, organizado pela WWF;
  • Participação no 2º Encontro das Comunidades e Povos do Cerrado. A ATV esteve presente representada por Valdo da Silva e Placides Pereira que compartilharam experiências com outros tantos agricultores e pesquisadores que estavam no encontro;
  • Realizaram em Canabrava do Norte (MT) o I Encontro do Casadão, momento de troca de conhecimento e vivências entre os agricultores e pesquisadores que têm se dedicado a compreender e disseminar a ideologia da agricultura familiar;
  • E por último, ATV foi objeto de pesquisa da tese de doutorado de Solange Pereira intitulada “A Pedagogia do Grupo Casadão: fruto e semente da luta pela terra no Baixo Araguaia mato-grossense”.

Solange relata que o Grupo Casadão se constituiu como sujeito pedagógico criador da vontade coletiva, produtor de uma nova cultura que considera as dimensões, a saber: social, histórica, política, econômica, espiritual, artística e afetiva; proporcionando, por meio do trabalho coletivo, o desenvolvimento da perspectiva da relação simbiótica com a natureza. “Reciprocamente, a sua luta pela terra alimenta a luta pelo Planeta Terra”, conclui a pesquisadora.

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